Paulo André já correu pelo Brasil, brilhou em Olimpíadas, emocionou o público no BBB e agora se prepara para subir a um palco diferente — o da música. O velocista lança nesta sexta-feira (28) seu primeiro single, Calma, e, mais do que uma estreia musical, o momento marca uma nova etapa de autodescoberta e reinvenção.
A vontade de cantar, como ele conta, ganhou força dentro do BBB 22. Entre conversas na casa e momentos descontraídos, sua voz chamou atenção de profissionais que enxergaram ali algo especial. “Falaram que tinha uma coisinha a mais na minha voz. Eu acreditei nisso e comecei a praticar mais”, relembra. E foi assim que um desejo guardado começou a virar projeto.
Mas o mais bonito nesta fase é perceber que PA não vive uma ruptura — vive multiplicidade. Ele segue firme em sua preparação para as Olimpíadas de 2028, ao mesmo tempo em que encontra espaço para explorar sua alma artística. As gravações, composições e ensaios aconteceram sempre nos períodos de férias, em respeito ao ciclo olímpico. “Caminho com calma nesse meu lado musical porque ainda estou dentro de um ciclo olímpico”, explica.
Essa dualidade — atleta e artista — tem sido cada vez mais comum entre grandes esportistas. PA cita Noah Lyles e até estrelas da Fórmula 1, que transitam com naturalidade entre esporte, mídia e entretenimento. E aqui há uma camada muito importante: representatividade. Afinal, é inspirador ver um atleta negro brasileiro, que já movimenta multidões pelo talento esportivo, agora ocupando outro espaço historicamente fechado para tantos. Ao se permitir criar, cantar e se mostrar vulnerável, PA abre portas para que outros jovens negros também se vejam protagonistas de suas próprias histórias — dentro e fora das pistas.
Mas nada inspira mais Paulo André do que seu filho, PAzinho, de 4 anos. A mãozinha do pequeno estampa a capa do single Calma como símbolo de tudo o que o atleta sente quando está com ele. “Ele é minha maior e melhor inspiração possível. Toda vez que estou com ele, me sinto muito mais calmo”, diz. Nas entrelinhas, PA admite o peso da distância: “Viajar e ficar longe dele me abala muito. Sinto falta de brincar, de ficar zoando aqui em casa.”
A música sempre esteve em Paulo André, mesmo antes de ele se imaginar artista. Cresceu ouvindo o pai colocar James Brown, aprendeu bateria na igreja e foi cercado pelo gospel na infância — referências que hoje se misturam com R&B, pop e afrobeats para dar corpo ao som que pretende entregar.
Depois de Tóquio, Paris e tantas conquistas, PA entendeu que correr é apenas uma parte da sua história. Agora, com Calma, ele decide mostrar ao mundo uma camada mais íntima, mais sensível, mais humana — e, principalmente, mais livre.
No fim, sua trajetória revela algo essencial: representatividade também é pluralidade. É poder ser atleta e artista. Forte e sensível. Focado e criativo. É saber que um homem negro pode brilhar onde ele quiser, quantas vezes quiser.
E Paulo André está fazendo exatamente isso: correndo, cantando e inspirando — tudo ao mesmo tempo.






