Nesta matéria o cantor Péricles fala sobre sua carreira e conta a história do Exaltasamba

 

TEXTO: Oswaldo Faustino | FOTO: Vagner Campos | Adaptação web: David Pereira

O músico Péricles | FOTO: Vagner Campos

O músico Péricles | FOTO: Vagner Campos

O prazer dos aplausos é indescritível. E quem provou quer sempre mais. O cenário artístico nacional da segunda metade da década de 80 era dominado pela primeira geração do pagode – uma denominação mercadológica para o samba –. Seguindo essa tendência, Péricles começou a estudar cavaquinho e depois banjo. Participou da primeira formação do grupo Exaltasamba, que se apresentava em bares: “Eu fiquei pouco tempo nessa fase do Exalta. Saí e participei do grupo Geração, que acompanhava a Jovelina Pérola Negra. Depois formamos o Sorriso Novo, nome inspirado numa canção do Almir Guineto. Em 1989,voltei para o Exaltasamba.”

Nessa época, em São Bernardo do Campo, o único espaço de eventos dedicado ao samba era o Choppapo, que produziu um disco com os artistas da casa. “Nós participamos daquele disco com Deixa como está, do Juninho do Banjo, do Katinguelê, também conhecida como Melô da padaria”, lembra Péricles. Juninho deu esse samba para o Exalta gravar em troca de Um novo amor, composição de Péricles: “Nós queríamos uma música mais ritmada e, então, demos ao Katinguelê a minha, que é mais lenta. Eu a compus quando a minha primeira namorada meteu o pé na minha bunda.”

Péricles descreve sua carreira como “uma coisa muito louca, que mexeu demais comigo e me fez descobrir que a vida pode ser bem melhor se você se empenha muito.” Por outro lado, quando se é famoso e se ganha muito dinheiro, “em geral, é muito legal, porque para os famosos a cor da pele é mero detalhe, todo mundo te paparica e a gente desconfia dos interesses de todos que se aproximam. As coisas chatas são você perder a privacidade, aparecer parente que você nunca soube que tinha e, o pior, o ciúme incontrolável que rola em casa. Imagina como as coisas estavam quando participei da Dança dos Famosos? Logo eu que nunca fui dançarino”, fala o músico, antes de soltar mais uma risada gostosa.

Para ele, o maior problema de sua geração de pagodeiros foi a falta de educação financeira: “Éramos bastante pobres e ganhamos muito dinheiro, mas não soubemos administrar. Imaginávamos que essa fonte não iria secar jamais. E um dia secou. Era o auge da crise do mercado fonográfico, entre 1999 e 2001, por causa da pirataria”, relembra. Péricles acredita que esse foi o único mal, mas talvez devesse também considerar a ditadura da indústria cultural, que inventa modismos e, se num momento favorece uma tendência artística, no outro transforma aquilo em démodé e destaca uma nova onda, destruindo muitas carreiras promissoras.

“O nascimento de meu filho Lucas fez com que eu começasse a repensar o futuro. Desde lá, resolvi traçar os rumos da minha carreira e me cercar de pessoas que confiam em mim e nas quais eu posso realmente confiar”, explica Péricles, sobre todas as decisões tomadas, tanto com relação ao grupo quanto para si próprio. Desde a saída do vocalista Chrigor, em 2002, e a entrada, em 2003, de Thiaguinho, que havia participado do reality show Fama, os rumos tomados pelo Exaltasamba não foram de total harmonia. Mesmo assim, o grupo ganhou dimensão nacional e uma sobrevida de quase 10 anos. “Recebi várias propostas para seguir carreira solo, mas demorei a tomar essa decisão – confessa – e ela só veio em 2011, quando, de comum acordo, nos propusemos a cada qual seguir seu próprio caminho. Cumprimos agenda de show até o final do ano e nos despedimos.”

 
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