Conheça a carreira do cantor brasileiro Itamar Assumpção

 

TEXTO: Amilton Pinheiro | Ilustração: Leandro Valquer | Adaptação web: David Pereira

Ilustração do cantor Itamar Assumpção | Ilustração: Leandro Valquer

Ilustração do cantor Itamar Assumpção | Ilustração: Leandro Valquer

 

Nascido no interior de São Paulo, em Tietê, em 1949, Itamar Assumpção foi crescer em outra cidade brasileira, em Londrina, no Paraná. “Cresci no meio da roça.” Trabalhou com um pouco de tudo, inclusive entregando carnês de IPTU.

Aos 21 anos, sentiria na pele a cisão social existente no Brasil entre negros e brancos, quando foi preso porque carregava um toca-fitas. Na cadeia, fez amizades com os detentos e um deles lhe emprestou um violão. Foram os seus primeiros acordes e contato com a sonoridade da música, que iria abraçar quando veio para São Paulo, em 1973. Penou vários anos na tentativa de seguir a carreira de cantor, até ser descoberto pela dita “vanguarda paulista” – artistas que não seguiam os ditames das gravadoras e que lançavam seus trabalhos de forma independente, entre eles, Arrigo Barnabé, Grupo Rumo e Premeditando o Breque. E foi na parceria fecunda com Arrigo Barnabé que Itamar encontraria um dos seus complementos artísticos. As parceiras que fizeram depois resultaram em ensinamentos mútuos.

Parte dos shows que Itamar Assumpção fazia nessa época está presente no belo documentário Daquele Instante em Diante, de Rogério Velloso, que mostra os grupos que trabalharam com ele ao longo da carreira, o Isca de Polícia e o Orquídeas do Brasil (formado só com mulheres). Não era fácil trabalhar com Itamar! Ele ensaiava à exaustão e não gostava muito que opinassem sobre os arranjos de suas músicas. O documentário de Velloso mostra também os parceiros – entre eles, Luiz Tatit – que trabalharam com ele e entraram para sua vida privada, porque conhecer Itamar e se afastar dele não era nada fácil.

Itamar Assumpção era uma pessoa difícil, mas ao mesmo tempo era tão amoroso que as pessoas relevavam as coisas desagradáveis que ele fazia”, revela o diretor. Essa amorosidade fica evidente com os depoimentos de sua mulher, Zena e das filhas Serena e Anelis, que seguiu a carreira do pai. Despreocupado com bens materiais, sua carreira artística em nada o ajudou no acúmulo destes.

O homem Itamar continuava o mesmo, vivendo com poucos recursos, sem plano de saúde, carro ou casa própria. Seus últimos anos de vida se deram em uma casa alugada no bairro paulistano da Penha, onde Itamar cultivava orquídeas. “Nunca quis me dar bem, quero mais é ser dono do meu trabalho”, dizia. Morreu sem bens materiais, sendo tratado num hospital público contra o câncer que o vitimaria, mas foi um dos poucos músicos brasileiros a construir uma obra autêntica que refletiu sua própria existência.

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