Saiba mais sobre a história de vida do cantor Jamelão

 

TEXTO: Renato Bazan | FOTO: Divulgação/Nilton Ribeiro | Adaptação web: David Pereira

O sambista Jamelão | FOTO: Divulgação/Nilton Ribeiro

O sambista Jamelão | FOTO: Divulgação/Nilton Ribeiro

Jamelão, como muitos negros que encontraram sucesso no Rio de Janeiro, teve um início de vida humilde. Nascido no bairro de São Cristóvão, teve que trabalhar desde cedo para sustentar a família. Foi engraxate na infância, mas demorou pouco para que sua voz fosse descoberta: ainda jovem, tornou-se referência entre os jornaleiros da região. “Dizem que meu avô já tinha essa potência na voz, que vendia jornais gritando e isso foi o primeiro approach dele antes de virar cantor profissional”, disse seu neto uma vez ao Jornal do Commercio.

O apelido, do fruto preto e duro, não se sabe de onde veio. O que se sabe, por outro lado, é que sua voz foi descoberta e apresentada para o sambista Lauro Santos, o Gradim, que o apresentou pessoalmente para a Mangueira. Com apenas 15 anos, Jamelão não pensava em cantar, mas viu nas garotas e no bloco de bateria da escola motivação suficiente para se juntar ao grupo. Enquanto estudava tamborim e cavaquinho, passou a participar das rodas de samba que aconteciam depois de cada desfile, e daí surgiu o contato com o canto.

Em 1949, assumiu o posto de puxador - não, intérprete - da Verde e Rosa pela primeira vez, influenciado fortemente pelo estilo do sambista Cyro Monteiro. Antes disso, porém, seu talento natural para o canto já ganhara visibilidade, em 1945, quando se tornou conhecido pelo programa Calouros em Desfile, da então Rádio Tupi RJ. Sua carreira trilhou atividades paralelas: enquanto dava voz à comunidade do Morro da Mangueira, por pura paixão, Jamelãoganhava o mundo com suas gravações pela Continental, primeiro, e depois pela Odeon, pela Companhia Brasileira de Discos e pela Philips. Com os prêmios regionais que acumulou, conseguiu projeção internacional, e nos anos 70 chegou a se apresentar no castelo de Coberville, na França, na festa de Assis Chateaubriand e do estilista francês Jacques Fath.

Já consolidado como intérprete de samba, dividiu sua atenção entre o samba-canção, com atenção especial para as composições de Lupicinio Rodrigues, Dorival Caymi e Ary Barroso, e o samba-enredo, anualmente recriado pela Mangueira. Integrou a comissão de compositores da escola em 1968, e assim ocupou os próximos 35 de sua vida. Nunca deixou de ser ativo. Em 2003, lançou o disco “Cada Vez Melhor”, que receberia diversas premiações nos anos seguintes. Em 2005, em plenos 92 anos de idade, o músico serviu de modelo na 19ª São Paulo Fashion Week, para a grife Poko Pano, causando surpresa e clamor entre os presentes.

Inalterado, porém, ficou seu humor azedo, como conta seu último empresário, Nilton Ribeiro: “Naquela idade, ele era duro, mas também muito carinhoso. O povo reclamava, mas chega uma hora na vida em que a gente não tem mais paciência. Teve um show que eu fiz com ele em Porto Alegre que foi bem assim: o Gonzaguinha quer fazer uma homenagem a ele ao vivo, mas ele não quis subir no palco. Ele sempre perguntava: ‘E vai ter din-din nisso aí?’”, conta, rindo.

Quer ver esta e outras matérias da revista? Compre esta edição número 178.

Comentários

Comentários