Saiba mais sobre a história do cantor Riachão de 1973 a 2004

 

TEXTO: Marla Rodrigues | FOTO: Douglas Campos e Maitê Freitas | Adaptação web: David Pereira

Riachão tem uma obra com aproximadamente 500 composições | FOTO: Douglas Campos e Maitê Freitas

Riachão tem uma obra com aproximadamente 500 composições | FOTO: Douglas Campos e Maitê Freitas

Já conferiu a primeira parte da história do cantor Riachão? Veja a segunda:

Em 1973, gravou o álbum “Sonho de Malandro”. No disco,predominam os sambas da malandragem, que é também a marca registrada da sua obra, mesclando metais, acordeom, flauta, coro de pastoras e até um regional de choro. Pouco divulgado, o disco não emplacou e vendeu pouco. Não foi um momento bom para Riachão. Mas o bom malandro deu a volta por cima e, no ano de 1975, ao lado de Batatinha e Panela, também representantes do samba baiano, gravou o disco “Samba da Bahia”, no qual interpretou “Vou chegando”, “Fúfú”, “Cada macaco no seu galho”, “Pitada de tabaco”, “Ousado e mosquito” e “Até amanhã”, todas de sua autoria. Ainda neste mesmo LP, interpretou “Terra hospitaleira”, de autoria de Edson Santos e Goiabinha.

Em 1976, nos anos tenebrosos da Ditadura Militar, Riachão teve um samba proibido pela censura. A letra da música “Barriga Vazia” falava da fome: “Eu, de fome, vou morrer primeiro / você, de barriga,também vai morrer um dia”. Como um rastilho de pólvora, a notícia da censura correu a cidade e, num show no ICBA, em 1976, a plateia universitária frequentadora contumaz do espaço cultural, localizado em um bairro de elite em Salvador, exigiu que Riachão a cantasse. O público pediu com tanto entusiasmo que o músico se viu obrigado a cantar o samba, fato que repercutiu na imprensa como uma provocação do sambista aos militares. Desse episódio, só resta uma vaga lembrança.

Em 1997 a EMI lançou o disco “Diplomacia”, de Batatinha. No disco, juntamente com Ederaldo Gentil, Nélson Rufino, Walmir Lima e Edil Pacheco, participou da faixa “De revólver, não!”, de autoria de Batatinha e Walmir Lima. No ano de 1999 participou do curta-metragem “Rádio Gogó”, de José Araripe Jr.

A obra de Riachão soma aproximadamente 500 composições, e por ser um representante da tradição oral, suas canções nunca foram documentadas. Segundo ele, a Rádio Sociedade da Bahia (onde trabalhou) guardava todas as suas músicas. “Teve um incêndio e destruiu tudo, mas Jesus me mandou de novo. Tem outras que não consigo lembrar, não chegam mais à minha mente” diz. Nos últimos 15 anos, Riachão tem se mantido ativo. Em 2000, lançou o CD “Humanenochum”. O disco trouxe participações especiais de Caetano Veloso na faixa “Vá morar com o diabo”, Carlinhos Brown em “Pitada de tabaco”, Tom Zé na música “Cada macaco no seu galho”, Armandinho e Dona Ivone Lara. Segundo o próprio cantor, o nome do disco quer dizer “Homem humano que ama a mulher e não a maltrata”, uma homenagem a sua mulher Dalva, companheira de quase 40 anos de convivência.

Em 2001, no Festival de Brasília, foi exibido o documentário “Samba Riachão”, de Jorge Alfredo. O documentário contou com os depoimentos de fãs ilustres do compositor, como Carlinhos Brown, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dorival Caymmi, Tom Zé, entre muitos outros. Neste mesmo ano, Cássia Éller interpretou “Vá morar com o diabo”, no Acústico MTV. Em 2002, fez participação especial no seriado “Pastores da noite”, da Rede Globo, baseado em romance homônimo de Jorge Amado.

Em 2004, participou do projeto “Brasil de todos os sambas”, série de shows do Centro Cultural Banco do Brasil que reuniu representantes do samba de vários estados do país. No ano de 2005, apresentou o show “Noite baiana” no Cité de la Musique, em Paris, e ainda participou da roda de samba promovida por Gilberto Gil no evento “TIM PercPan 2005”.

 

Quer ver esta e outras matérias da revista? Compre esta edição número 191.

Comentários

Comentários