Conheça o cantor Stewart Sukuma e saiba mais sobre a música de Moçambique

 

TEXTO: Redação | FOTO: Allan Richner | Adaptação web: David Pereira

O cantor de Moçambique, Stewart Sukuma | FOTO: Allan Richner

O cantor de Moçambique, Stewart Sukuma | FOTO: Allan Richner

Quem admira as tendências musicais africanas, certamente deve conhecer Stewart Sukuma. Apontado como um dos músicos mais dinâmicos e revolucionários da atualidade, e comprometido com a divulgação das artes de Moçambique, Sukuma é conhecido por misturar música popular e tradicional de seu país, além de ser respeitado por sua integridade, compromisso e liderança. O cantor, dono de uma voz marcante e de um carisma inquestionável, mostrou um pouco de sua musicalidade e de suas raízes em uma apresentação realizada recentemente em São Paulo. Além de Nkhuvu, sua banda, o show teve a participação mais do que especial da brasileira Socorro Lira. Mas nem tudo foi simples na carreira deste músico. Sukuma veio de uma família modesta de Moçambique, o que não atrapalhou o seu trabalho com a música, que começou ainda na infância. “Eu costumo dizer que minha musicalidade foi por intuição, já que ninguém na família era músico e recebi pouco incentivo naquele tempo, nada que me encorajasse nessa caminhada. Com seis anos recebi uma viola de plástico no natal dos pobres e, a partir daí, ‘o bichinho’ foi crescendo.

Lembro que ficava horas com os olhos pregados no rádio pensando nas pessoinhas lá dentro a cantar e a falar. Eu era fascinado pelo rádio, pelo o que aquela caixinha minúscula nos proporcionava”, lembra.Tempos depois, seria ele uma daquelas “pessoinhas” a cantar na naquela caixa minúscula. Seu primeiro trabalho foi gravado em 1983, para a Rádio Moçambique. Nesse mesmo ano, recebeu o Prémio Ngoma como Melhor Intérprete Nacional e, rapidamente, se tornou um músico popular, ouvido nas principais estações de rádio do país. Entre os grandes feitos está o álbum Independência, gravado em 1987, em que teve a parceria inestimável da Orchestra Marrabenta Star de Moçambique, em Harare (Zimbabwe). A partir deste trabalho, começou a realizar vários concertos pela Europa, como em Berlim, Londres, Finlândia, Dinamarca, Holanda, entre outros. Nestes locais, Sukuma mostrou que sua música possui uma grande harmonia de ritmos africanos, brasileiros e da música pop. Em seus shows, o artista canta em inglês, outras línguas africanas e em português, o que fortalece seu laço com o Brasil.

“O Brasil é um destino natural. A mesma língua, os mesmos costumes e crenças, às vezes, até interpretados de outra forma, mas os mesmos. Isso tudo faz de nós irmãos que possuem a mesma mãe, mas com pais diferentes. O Brasil é fundamental para a minha carreira, porque é a África na diáspora. Como moçambicano, tenho a vantagem da língua e quero levar essa mensagem aos meus irmãos brasileiros que não podem me ouvir em Moçambique”, afirmou. Dos vários momentos importantes em sua carreira, Sukuma destaca a parceria com o mestre Gilberto Gil. “Em abril de 2003, Gil veio para Moçambique participar de uma reunião dos ministros da cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Eu e alguns amigos queríamos prestar uma homenagem a ele e organizamos, da forma o mais informal possível, um show com a nata dos músicos moçambicanos residentes em Maputo. Ele compareceu e acabou partilhando o palco comigo e com outros músicos nativos. Um ano depois ele ainda veio para dois shows beneficentes, no qual foram angariados fundos doados a duas organizações de luta contra A AIDS.”

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