Conheça a história da primeira compositora de escola de samba

 

Texto: Oswaldo Faustino | Foto: Divulgação | Adaptação web Sara Loup

Yvonne e seu parceiro Bruno Castro | Foto: Divulgação

Yvonne e seu parceiro Bruno Castro | Foto: Divulgação

Quem imaginava, naquele ano de 1921, que a filha recém-nascida de Dona Emerentina com o Sr. João Lara, batizada de Yvonne numa grafia afrancesada, um dia seria expoente do samba, e a chamariam de “Senhora da Canção”? Certamente ninguém, porque o samba, naquela época, era fora da lei, o que não dava status a ninguém, muito menos às mulheres, cujo papel nas primeiras agremiações surgidas, se limitava ao de “pastora”. Compositora? Nem pensar. Dona Ivone Lara (já com grafia abrasileirada) nasceu para romper limites, fora e dentro da escola de samba.

E é com essa garra e energia que a primeira mulher a ingressar na ala de compositores da Escola de Samba Império Serrano, chega aos 90 anos de vida! Nascida no bairro de Botafogo, na zona sul carioca, a menina Yvonne perdeu o pai aos três anos e a mãe, aos 12. Levada para a casa de tios no outro lado da cidade ficou pouco tempo, pois foi matriculada em colégio interno. Sem saber, estava fugindo da sina da maioria das meninas negras de seu tempo, sem outra perspectiva que a do trabalho de doméstica.

E foi na Serrinha que o tio Dionísio lhe ensinou a tocar cavaquinho, que fez suas primeiras composições ao lado do primo Antonio dos Santos (conhecido por Fuleiro) e onde ela se casou com Oscar, filho de Alfredo Costa, o presidente da escola de Samba Prazer da Serrinha, raiz da gloriosa Império Serrano, onde Yvonne passou a desfilar na ala das baianas.

Em 1965, rompeu um tabu da escola de samba e tornou-se a primeira mulher a integrar a ala de compositores, ao lado de parceiros como Mano Décio da Viola, Silas de Oliveira, os primos Hélio e Mestre Fuleiro e Délcio Carvalho, seu parceiro maior. A carreira profissional de interprete só decolou após seus 65 anos. Daí pra frente foi só ascensão, nacional e internacionalmente. Impossível não se emocionar ao vê-la ainda em palco e ao ouvir os floreios melódicos nessa voz inconfundível, em seus sambas que se tornaram clássicos da MPB. Noventa anos! Vida longa a Dona Ivone Lara!

 

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