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Algoritmo usado em hospitais nos EUA para selecionar pacientes reforça discriminação racial, diz estudo

O cuidado com pacientes doentes dos Estados Unidos que buscam tratamento médico é definido, em parte, por meio de algoritmos. Uma pesquisa divulgada na revista Science mostra que o software usado para o atendimento de dezenas de milhões de pessoas privilegia pacientes brancos em vez dos negros.

Uma análise nos registros de um grande hospital dos EUA revelou que o uso de algoritmo tem privilegiado pacientes brancos na fila de programas especiais para tratamento de doenças crônicas, como diabetes ou problemas renais. O hospital em questão, cujo nome não foi divulgado pelos pesquisadores do estudo, é um dos diversos centros de saúde americanos que empregam algoritmos para identificar pacientes que necessitam de cuidados primários em doenças complexas.

O software recomenda pessoas para programas que oferecem suporte extra, incluindo consultas especiais e equipes de enfermagem especializadas. Os pesquisadores analisaram mais de 50 mil registros e descobriram que o algoritmo de fato diminui as chances de pacientes negros serem selecionados para esses programas.

Ao compararem pacientes negros e brancos aos quais o algoritmo atribuiu “pontuações de risco”, os pesquisadores descobriram que os pacientes negros estavam, na verdade, mais doentes que os brancos. Ou seja, os pacientes eram excluídos de vagas no programa de cuidados extras do hospital com base na raça.

O artigo não identifica a empresa por trás do algoritmo que atua nos hospitais americanos. Mas Ziad Obermeyer, médico, pesquisador da Universidade de Califórnia e um dos autores do estudo, disse que a empresa confirmou o problema e está trabalhando para resolvê-lo.

A tecnologia é usada no atendimento de 70 milhões de pacientes e desenvolvido por uma subsidiária de uma companhia de seguros. De acordo com o site Wired, o algoritmo pode ser da empresa Optum, da seguradora UnitedHealth, que afirma que seu produto tenta prever riscos de pacientes e é usado para “gerenciar mais de 70 milhões de vidas”.

“Como aconselhamos nossos clientes, essas ferramentas nunca devem ser vistas como um substituto para a experiência e o conhecimento de um médico sobre as necessidades individuais de seus pacientes”, afirmou a Optum quando procurada pela Wired.

Em sua essência, o algoritmo do estudo foi projetado para prever os custos financeiros futuros de saúde dos pacientes, de acordo com as necessidades de cada um. Mas essa lógica fez com que o sistema replicasse a realidade desigual no acesso à assistência médica nos Estados Unidos.

Quando o hospital usou pontuações de risco para escolher pacientes para seu complexo programa de atendimento, estava selecionando pacientes que provavelmente custariam mais no futuro, e não com base em sua saúde real. Segundo o estudo, pessoas com renda mais baixa costumam arcar com custos menores de saúde, pois têm menos chances de ter cobertura de seguro, por exemplo.

Fonte: Época Negócios

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