Foram dez anos de silêncio criativo nos álbuns de inéditas, mas Seu Jorge nunca deixou de carregar a música dentro de si. Em fevereiro deste ano, o cantor e ator decidiu abrir novamente as portas desse universo com o lançamento de “Baile à la Baiana”, um projeto que não é apenas um disco, mas também um reencontro com suas raízes, memórias e parcerias.
A turnê homônima já percorre palcos pelo Brasil e mostra o que o artista chama de fusão de ritmos: uma mistura do afropop com a escola carioca que o formou e, claro, com o tempero especial da Bahia.
“Eu gosto de contar uma história com começo, meio e fim. São músicas com amigos que cultivo ao longo desses anos, misturando influências de amigos baianos com a minha escola carioca”, contou em entrevista ao podcast g1 Ouviu.
O tempo afastado da música foi tomado pelo cinema, mas trouxe também novas lentes para enxergar sua própria trajetória.
“Alguns projetos me fizeram parar um pouco com a música, mas foram importantes para entender a dinâmica da minha formação, que era analógica, até chegar nessa revolução digital”, lembrou.
Mais do que apenas lançar canções, Seu Jorge resgata em “Baile à la Baiana” a força do encontro. O disco foi sendo tecido com calma, entre experiências pessoais e amizades de longa data, que resultaram em parcerias cheias de afeto e identidade.
Na conversa, o cantor ainda refletiu sobre os rumos da música popular brasileira, ao comentar o sucesso de “MTG Quem Não Quer Sou Eu”, remix do DJ Topo que viralizou em 2024 a partir de uma de suas canções.
“Não podemos rebaixar muito o nível da poesia da música popular brasileira. Sempre houve espaço para diferentes linguagens, mas é preciso ter critério. Temos que expandir a cultura, não deixá-la falar só de uma coisa”, afirmou.
Mais do que um retorno, o novo álbum mostra um artista em constante reinvenção, mas que não esquece de onde veio. E é justamente a Bahia — com sua musicalidade, sua energia e sua gente — que dá o tom de um baile que promete ficar marcado na história da MPB.