Atentado marca semana da visibilidade trans em SP

Casa da covereadora de São Paulo foi atingida por tiros na semana da Visibilidade Trans

No dia 29 de janeiro celebra-se o Dia da Visibilidade Trans. Recentemente observamos diversas iniciativas que auxiliam a inclusão deste grupo no mercado de trabalho, como é o caso do Transempregos – criado por Maite Schneider, Márcia Rocha, Laerte Coutinho e Letícia Lanz.

Essas ações contribuem, e muito, para o aumento na quantidade de pessoas trans em trabalhos formais, vale lembrar que devido ao preconceito que sofrem muitas são obrigadas a recorrer à trabalhos sem garantias e, em muitos casos, perigosos, como a prostituição.

Um dos exemplos de pessoas que conquistaram espaços importantes para a comunidade trans foi a covereadora de São Paulo, Carolina Iara (PSOL), mulher negra, travesti, intersexo e que convive com o HIV/aids. Eleita em 2020, juntamente com a Bancada Feminista, com 46.267 votos.

Na madrugada de quarta-feira (26) a casa de Iara foi alvejada com dois tiros de arma de fogo, a Bancada afirma que se trata de um crime político por tudo que Carolina representa. No momento dos disparos, a mãe e o irmão de Iara também estavam no local, felizmente ninguém se feriu. Em coletiva de imprensa Carol pede mais segurança às vereadoras, incluindo as outras integrantes de seu grupo Silvia Ferraro, Paula Nunes, Dafne Sena e Natália Chaves.

“Sair de casa fugida pra mim vai ser um trauma que eu vou levar para o resto da vida, e por enquanto ter um esquema de segurança e não poder andar sozinha, perder este tipo de liberdade que eu tinha antes para mim também é algo muito sofrido”, afirma.

A Bancada Feminista juntamente com o Instituto Marielle Franco lançaram o site Não Seremos Interrompidas, no qual pedem apoio popular para cobrar investigações sobre o caso ao poder público.

O Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo, sendo 80% destes negros e negras, segundo a União Nacional LGBT, a expectativa de vida de uma pessoa trans é de 35 anos. De acordo com o Dossiê dos Assassinatos e violência contra pessoas Trans, o Brasil teve um aumento significativo na morte de pessoas trans em 2020 – mesmo estando em um período de pandemia. O documento ainda mostra um ranking de estados com maior números de casos sendo os primeiros São Paulo, Ceará e Bahia.

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