Na última quinta-feira (3), antes mesmo de a bola rolar pela estreia da Libertadores, Bahia e Internacional já haviam marcado um gol importante. As duas equipes protagonizaram uma ação antirracista que foi além do esporte: um gesto firme, simbólico e necessário, que lembrou a todos que o racismo não pode, e não deve ser ignorado.
Na Arena Fonte Nova, os jogadores dos dois times carregaram no peito um patch com a mensagem clara: “Não feche os olhos para o racismo”. A frase também foi estampada em espanhol, reforçando que essa luta é coletiva, sem fronteiras. Um recado direto para as arquibancadas, para quem assiste pela TV, para quem joga, torce ou trabalha no futebol: é hora de abrir os olhos, de enxergar, de agir.
Depois da entrada em campo, os capitães trocaram flâmulas com a mesma mensagem. Não foi só um protocolo, foi um símbolo. Bahia e Inter, dois clubes com histórias marcadas pela resistência e pelo compromisso social, mostraram que vestir a camisa também é se posicionar.
O Bahia, que nos últimos anos tem usado sua voz para pautas de inclusão e respeito, se uniu ao Inter, um clube que sempre fez questão de levantar a bandeira da igualdade. Juntos, lembraram que o futebol pode, e deve, ser um lugar de acolhimento, onde todos se sintam pertencentes. Onde a cor da pele não determine o valor de ninguém. Onde o grito da torcida não reproduza o preconceito, mas ecoe justiça.
Essa ação não foi só uma campanha. Foi um ato de coragem. E num mundo onde, muitas vezes, silenciar é mais confortável, ver dois gigantes do futebol brasileiro usando sua visibilidade para defender o que é certo faz toda a diferença.
Mais do que rivais em campo, Bahia e Inter mostraram que estão do mesmo lado fora dele: o lado da luta. Pela memória de quem sofreu, pela dignidade de quem resiste, e por um futuro onde ninguém mais precise gritar para ser ouvido.