O Bom Gosto chega aos 20 anos de carreira carregando tudo aquilo que sustenta o samba: afeto, memória, coletividade e muita resistência. Para marcar esse novo capítulo, o grupo escolheu dividir a celebração com alguém que também representa tudo isso — Alcione, uma das vozes mais potentes e simbólicas da música brasileira.
O primeiro single do álbum comemorativo O Samba Que Eu Vou, Magoou, Abusou, nasce desse encontro. A música chega às plataformas nesta sexta (28) com uma mensagem que conversa com a vida real de muita gente: a força de seguir adiante, de reconhecer o próprio valor e de não voltar a lugares que já não acolhem. É uma história de virada, coragem e autonomia — temas que sempre atravessaram a trajetória de Alcione e que ecoam verdade na vida de todas as mulheres que aprenderam a se levantar.
Para o Bom Gosto, cantar ao lado de Marrom é mais do que um dueto. É como se o tempo voltasse para abraçar as rodas de samba que moldaram o grupo, como se as histórias de onde eles vieram se encontrassem com o legado gigantesco de Alcione. Eles falam da parceria com um brilho emocionado, como quem realiza um sonho antigo e entende a responsabilidade de dividir microfone com uma referência viva da cultura negra no Brasil.
A faixa, composta por Flávio Regis, Renan Fiore e Carlos Caramelo, ganha arranjos de Jota Moraes, mestre que marcou algumas das músicas mais queridas do pagode nacional. O álbum inteiro, segundo o grupo, é um mergulho na essência das rodas de samba — esse espaço de comunidade, verdade e celebração onde tudo começou.
Alcione também celebrou o encontro. Para ela, participar de Magoou, Abusou é revisitar temas que a acompanham há décadas: independência, força feminina, ancestralidade e a beleza de honrar quem veio antes. Ela fala da música como quem fala de si — com serenidade, com firmeza e com a consciência do seu papel na história.
No fim das contas, essa parceria não é apenas uma celebração de carreira. É um gesto de continuidade. Um encontro de gerações que mostra que o samba é maior do que o tempo, maior do que as modas e maior do que qualquer fronteira.
É sobre manter acesa a chama que foi deixada por tantos mestres.
É sobre reconhecer a importância da representatividade de artistas negros que moldaram — e continuam moldando — a música brasileira.
É sobre celebrar o passado enquanto se abre um caminho inteiro para o futuro.
Um presente para o samba. Um abraço para quem ama o gênero. E um marco inesquecível para o Bom Gosto em seus 20 anos de história.






