Oswaldo Faustino escreve sobre grandes cantores do cenário nacional e internacional nascidos no ano de 1942

 

TEXTO: Oswaldo Faustino | FOTO: Eraldo Platz| Adaptação web: David Pereira

Milton Nascimento é um dos cantores nascidos em 1942 | FOTO: Eraldo Platz

Milton Nascimento é um dos cantores nascidos em 1942 | FOTO: Eraldo Platz

Recentemente, no blog de um enólogo, me deparei com o entusiasmo com o qual ele contava o fato de encontrar, em Buenos Aires, uma garrafa do vinho Lagarde Semillón 1942, pela qual pagou, sem pestanejar, mais de US$ 200. Segundo ele, esse vinho estava num tonel de carvalho francês e rendeu apenas duas mil garrafas. Não entendo nada de vinhos, prefiro me embriagar de música, na maioria das vezes da chamada black music, porém, meu regalo maior é com a popular brasileira. Depois de ler o blog, pensar no tempo em que o tal vinho ficou repousando naquele tonel, somado aos anos em que se encontra engarrafado, me dei conta de que um bom número de meus ídolos musicais também chegaram aos 70 anos. E, tal quais os vinhos dessa safra, encontram-se cada vez mais requintados e sofisticados, com um buquê musical e poético tão elegante quanto seus cabelos grisalhos.

Alguns já não estão mais por aqui, como o cantor, compositor e multi-instrumentista, Tim Maia (28 de setembro) e Jimi Hendrix (27 de novembro), com sua guitarra flamejante. Mas há, ainda, um bom número de talentosos artistas como Paulinho da Viola (12 de novembro), Milton Nascimento (26 de outubro), Gilberto Gil (26 de junho), Caetano Veloso (7 de agosto), entre outros.

Um artista em especial faço questão de destacar aqui, pois me deu a honra de permitir que eu produzisse uma breve biografia sua para apresentá-lo à juventude, pela Coleção Retratos do Brasil Negro, da editora Selo Negro/Summus. É o compositor, cantor, pesquisador de cultura, história e arte afro-brasileira e também escritor, Nei Lopes, que aproveitou para lançar três livros num evento que chamou de “salto triplo”: o Novo Dicionário Banto do Brasil (2ª edição aumentada); o Dicionário da Hinterlândia Carioca; e o romance A Lua Triste Descamba, em que retrata, de forma ficcional, os primeiros tempos das escolas de samba, do Estácio a Oswaldo Cruz.

Sempre que me perguntam sobre este meu biografado, respondo que Nei Lopes é uma “incansável usina de produzir textos e letras para músicas”. Sua forma de versar na criação de seus sambas, com humor e inteligência, resulta em verdadeiras crônicas cariocas. Tanto Nei, quanto Gil, Caetano, Paulinho e Milton nos fazem refletir sobre velhos conceitos de maturidade (ou velhice). Eles lembram algumas árvores frutíferas que o tempo não castiga com a esterilidade produzem incansavelmente frutos cada vez mais saborosos. Parabéns a todos esses adoráveis “vinhos” da safra de 1942!
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