Saiba mais sobre a caravana “Lutas que construíram o Brasil: da Coluna Prestes à Guerrilha do Araguaia” realizada pela União da Juventude Socialista

 

TEXTO: Rafael Minoro | FOTOS: Léo Souza/A Firma | Adaptação web: David Pereira 

Caravana da União da Juventude Socialista | FOTO: Léo Souza/A Firma

Caravana da União da Juventude Socialista | FOTO: Léo Souza/A Firma

Entre os dias 16 e 21 de abril de 2014, nos marcos das lembranças dos 90 anos da Coluna Prestes, dos 50 anos do golpe civil-militar e dos 40 anos do fim da Guerrilha do Araguaia, um grupo de 40 jovens de 12 estados permitiu-se reviver parte dos levantes populares que marcaram o país, percorrendo locais onde ocorreram conflitos importantes da história nacional em defesa da democracia, da justiça social e de questões ambientais.

Foram cinco dias, mais de quatro mil quilômetros rodados e sete paradas. Um ônibus saiu de São Paulo (SP), passou por Brasília (DF) e percorreu as regiões de Palmas (TO), Vila Santa Cruz dos Martírios (PA), São Geraldo do Araguaia (PA), Xambioá (TO) e Marabá (PA). A caravana, organizada pela União da Juventude Socialista (UJS), em parceria com o Centro de Estudos e Memória da Juventude (CEMJ) e a Fundação Maurício Grabois, foi apenas o primeiro passo do projeto para consolidar, preservar e difundir a memória dos combates do povo brasileiro.

Para o presidente da UJS, André Tokarski, refazer os mesmos passos dos heróis brasileiros significa recontar a história que pouco é contada nos livros escolares. “Ao se dedicar a conhecer em profundidade duas das mais ousadas empreitadas de luta do povo brasileiro, a Coluna Prestes e a Guerrilha do Araguaia, a UJS reforça seu vínculo com a história do nosso povo e chama a atenção para a importância da preservação da nossa memória e da luta por justiça e pela verdade”, explicou.

Pose para foto no Memorial Coluna Prestes | FOTO: Léo Souza/A Firma

Pose para foto no Memorial Coluna Prestes | FOTO: Léo Souza/A Firma

Para aniquilar os combatentes da Guerrilha do Araguaia, as forças armadas brasileiras fizeram a sua maior operação em território nacional depois da Guerra do Paraguai. O Estado patrocinou as piores atrocidades em matéria de violações dos direitos humanos. Os guerrilheiros, no entanto, assim como Zumbi, Sepé Tiaraju, Felipe dos Santos, Cipriano Barata, Frei Caneca, Bento Gonçalves, Angelim, Antônio Conselheiro, João Mari e Luiz Carlos Prestes, ainda não saíram das sombras da história. Nas escolas e nos meios de comunicação, pouco ouvimos falar de termos como Palmares, Cabanagem, Canudos, Contestado, Farrapos,Praieira, Confederação do Equador, Coluna Prestes e Guerrilha do Araguaia.

“É indiscutível, apesar do silêncio dos algozes, que o sul do Pará e o norte de Tocantins, entre 1972 e 1975, transformaram-se em uma zona de guerra, em pleno território brasileiro. É importante resgatar, para a história, o fato de que a ditadura que se abateu sobre o povo encontrou resistência na coragem e determinação de alguns”, reforçou Tokarski. A realização, em Marabá, de uma sessão extraordinária da Comissão da Anistia do Ministério da Justiça, para julgar os processos de sete camponeses perseguidos pelo regime durante a Guerrilha, como ato de encerramento da Caravana, fez com que fosse ultrapassado o objetivo inicial de se realizar um curso de formação de lideranças e transformou a Caravana em um grande ato pela revisão da Lei da Anistia, punição aos torturadores e em defesa da justiça, da memória e da verdade.

“A impunidade dos crimes praticados pelas forças armadas no Araguaia, especialmente contra os jovens comunistas e camponeses da região, legitima e encoraja a violência policial nos dias de hoje, que reprime com força desproporcional os movimentos sociais e, covardemente, mata jovens negros nas periferias das grandes cidades brasileiras”, avaliou o presidente da juventude socialista, que lançou a campanha “Lugar de Curió é na cadeia”, pedindo a prisão do major de nome de passarinho, responsável pela perseguição aos guerrilheiros do Araguaia.
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