Comandantes das três forças armadas deixam os cargos

Saída dos chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica é inédita no país e são reação à demissão do general Fernando Azevedo

Apenas um dia depois da demissão do general Fernando Azevedo da chefia do Ministério da Defesa, os comandantes das três forças armadas brasileiras entregaram os cargos. Edson Leal Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Bermudez (Aeronáutica) tiveram a saída simultânea confirmada pelo Ministério da Defesa, que em nota afirmou que a decisão foi comunicada em uma reunião na manhã desta terça (30), mas sem muitos detalhes.

Os motivos das saídas não foram informados, mas sabe-se que o trio já havia decidido na própria segunda-feira após a queda de Azevedo. A pedido do sucessor e também general Walter Braga Netto, concordaram em adiar a saída até outro diálogo. 

A Revista RAÇA, levanta esta situação, pois está envolvida com situações que direta ou indiretamente atingem a comunidade negra que compõe 56% da população brasileira. No claro cenário de crise sanitária e política, nos preocupa a queda do ministro da Defesa e a saída dos três comandantes das forças armadas do Brasil. 

A demissão dos chefes das três forças ao mesmo tempo é um fato inédito no Brasil e marca a maior crise entre as instituições desde a redemocratização. Se a tradição for mantida, Braga Netto deverá apresentar ao presidente Jair Bolsonaro três nomes para cada um dos cargos, seguindo um critério de tempo de quartel.

A relação de Bolsonaro com Pujol já se revelou conflituosa desde o início da pandemia, em 2020. Enquanto o ex responsável pelo exército se preocupou em tratar o combate à covid-19 como uma das “maiores missões”, o presidente permanecia com o negacionismo e desdém sobre o vírus. De acordo com a imprensa, Bolsonaro cogitou a demissão de Pujol em novembro do ano passado, mas voltou atrás.

As saídas seguem sendo comentadas em todos os âmbitos, inclusive menções de receio sobre o risco da democracia no país. Continuaremos atentos e preocupados com os rumos do maior país negro fora África.

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