Veja os detalhes do livro de poemas da poetisa Conceição Lima

 

TEXTO: Redação | FOTO: Divulgação | Adaptação web: David Pereira

A poetisa Conceição Lima | FOTO: Divulgação

A poetisa Conceição Lima | FOTO: Divulgação

Na coletânea "A dolorosa raiz do Micondó", de 27 poemas de Conceição Lima, poetisa de São Thomé, o micondó (árvore considerada sagrada em diversas regiões da África) simboliza origem, casa, morada ancestral. A evocação de tais raízes é dolorosa devido a acontecimentos históricos, como a escravidão e a colonização, que imprimiram profundas feridas e rupturas na identidade nacional e na própria poetisa, cujos antepassados fora trazidos à força para o arquipélago africano e, mais tarde, enviados para outras terras como escravos.

Embora a dor seja uma constante nos versos de Conceição Lima, o sentimento é o da sutil esperança de que a mesma memória que resgata os fatos traumáticos ajude a fazer germinar algo novo dos escombros. O lançamento é da Geração Editorial.

Confira um poema de Conceição Lima:

SÓYA

Há de nascer de novo o micondó –

belo, imperfeito, no centro do quintal.

À meia-noite, quando as bruxas

povoarem okás milenários

e o kukuku piar pela última vez

na junção dos caminhos

Sobre as cinzas, contra o vento

bailarão ao amanhecer

ervas e fetos e uma flor de sangue.

Rebentos de milho hão-de nutrir

as gengivas dos velhos

e não mais sonharão as crianças

com gatos pretos e águas turvas

porque a força do marapião

terá voltado para confrontar o mal.

Lianas abraçarão na curva do rio

a insônia dos mortos

quando a primeira mulher

lavar as traças no leito ressuscitado.

Reabitaremos a casa, nossa intacta morada.

 

 

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