Dia Internacional das Mulheres

Para celebrar o 8 de março dia internacional das mulheres nossa editora de moda, Ana Paula Fernandes, preparou para vocês, leitoras, um ensaio lindo, com mulheres maravilhosas que infelizmente, como toda mulher preta, ainda sofre com a desvalorização dos seus corpos e com outras opressões impostas pela sociedade. São mulheres que ousaram romper um padrão estético eurocentrado e estão revolucionando o modo de ser, existir e se vestir não só de si, mas de toda uma sociedade e sendo mais felizes! Feliz dia internacional das Mulheres.

“Não me sinto totalmente representada pela data, mas não devemos deixar de comemorar e celebrar o fato de ainda estarmos vivas, apesar de tantas opressões e injustiças que são praticadas contra nós todos os dias desde o nosso nascimento, situações que as mulheres brancas jamais irão vivenciar.” (Ana Paula Fernandes, Editora de Moda e Stylist)

  A ideia deste ensaio é fazer com que todas as mulheres pretas se sintam homenageadas e acolhidas neste 08 de março.

 Que as nossas pautas raciais possam ter o peso e a importância que lhe é devida e que possamos entender quão urgente é ocuparmos os espaços que nos foram negados.

“Meu sonho era ser modelo, na minha cidade encontrei muitos empecilhos, começando pela minha família, meu pai era um pastor muito religioso, entendi que na minha cidade nunca poderia ser quem eu realmente sonhava, por isso vim para São Paulo batalhar pelos meus sonhos, cheguei aqui sem dinheiro e tive que me sujeitar a muitas coisas para conseguir sobreviver em um país aonde o índice de morte de travestis é o maior do mundo.

Foi um início muito difícil, mas segui focada e as oportunidades começaram a surgir, e depois de muita luta me considero uma mulher estabilizada e independente.

Ser travesti e preta no Brasil não é fácil, mas sigo o meu caminho independente de rótulos e de como as pessoas me definem.”

 “Sou o tipo de profissional que trabalha enxergando oportunidades nas dificuldades. Foi por isso que mudei de carreira aos 40 anos e me tornei Especialista em Negócios da Moda e no Mercado Plus Size.

 Transformei os problemas que encontrei na moda em profissionalização. Como? Com a RDZ Negócios, uma agência de consultoria que contribui na aceleração e ‘mantenedoria’ de uma marca no mercado: profissionalização mercadológica, gerenciamento de mídias, curadoria de coleção de moda, head de criatividade, consultoria estratégica e muito mais, voltada ao Mercado Plus Size.

Nas minhas plataformas minhas lutas e posicionamento são claros, inspirando mulheres negras e gorda. Falando do preconceito que sofreu e ainda sofre, as barreiras impostas pela sociedade e sua garra para transpor todas elas e vencer.”

“Me encontro em posição onde sou líder de segurança e mulher Preta.

Houve uma situação onde, fui chamada para resolver e ao chegar no lugar 2 meninas na hora fizeram uma cara de surpresa onde me apresentei e disse que estava à disposição de ajudá-las, no meio dessa situação, uma das envolvidas disse ” sabe a pessoa que me atendeu era negra assim que nem você”.

Achei o comentário um absurdo, percebo que as pessoas ficam surpresa com a minha posição por ser mulher e negra, as pessoas ainda se chocam, infelizmente ainda somos minorias em cargos de lideranças e não quero ocupar esses espaços sozinha, pretas e pretos devem estar em níveis de igualdade sem distinção de raça e gênero.”

“Meu maior desafio como mulher negra foi entrar na aviação e ser comissária de voo. Um sonho desde criança. Mas que a sociedade rotulava como uma profissão para brancos, e que deveriam cumprir um certo padrão de beleza que excluía o negro.

Entrei no voo com quase 29 anos.

E quando decidi parar de alisar o cabelo e deixá-lo ao natural, em pleno 2018, escutava de colegas do trabalho: você pode trabalhar assim?

Ou: Você pode voar com esse cabelo?

Nós podemos estar em qualquer lugar. Mas antes de qualquer coisa:  temos que ter muita clareza sobre nós mesmos, e nos posicionar.

Aceitar e Amar nossa negritude com nossos cabelos crespos, e a nossa cor. Meu maior desafio como mulher negra foi entrar na aviação e ser comissária de voo. Um sonho desde criança. Mas que a sociedade rotulava como uma profissão para brancos, e que deveriam cumprir um certo padrão de beleza que excluía o negro.

Entrei no voo com quase 29 anos.

E quando decidi parar de alisar o cabelo e deixá-lo ao natural, em pleno 2018, escutava de colegas do trabalho: você pode trabalhar assim? Você pode voar com esse Cabelo?

Nós podemos ocupar todos os lugares, aceitando e amando a nossa negritude e se negando a caber na caixinha que essa sociedade adoecida tenta nos enfiar, com a ignorância e o racismo.”

“Desde o nome às roupas que visto, desde que eu cheguei ao Brasil eu sou zoada e apontada.

Certo dia há alguns anos, fui seguida e “confundida” com uma garota de programa por ter colocado uma legging branca, o homem seguiu-me por alguns minutos e depois acelerou os passos para ficar do meu lado, e me   perguntou quanto eu cobrava para fazer determinada ação dentro do programa, não tive nem coragem de responder, tamanha era a minha vergonha e decepção.

 Naquele dia em diante decidi me posicionar, não mais me calar, diante das situações e das pessoas que tentavam me atacar ou me diminuir por ser quem eu sou, nunca mais passaria por uma situação parecida se de mim dependesse.”

Fotos: Ádima Macena/@adima_macena
Cenografia: Della Flores/dellafloresoficial
Casting: Agência Vogue: (agenciavogue.com.br)
Looks: My Basic e Adriana Rodrigues.

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