Em ação mundial, Netflix lança coleções para ressaltar histórias negras

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Quando dizemos “Black Lives Matter”, também queremos dizer “Contar histórias negras importa”. A partir do debate sobre o movimento, que tem crescido após o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos, a plataforma de serviços via streaming Netflix decidiu inserir em seus serviços duas coleções que tem como objetivo evidenciar narrativas poderosas e complexas sobre a experiência afrodescendente.

De acordo com a plataforma, a demanda surgiu como uma forma de fortalecer e incentivar as pessoas a entender e contextualizar um pouco mais sobre o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam). A ideia é falar de forma autêntica não somente com a audiência negra, mas com o público da plataforma.”Acreditamos que a Netflix pode impactar positiva e diretamente a vida das pessoas por meio das nossas histórias. A coleção Vidas Negras Importam fala sobre a injustiça racial e a experiência negra – e esperamos que o destaque desses títulos ajude a aumentar a empatia e a compreensão”, afirmou a Netflix por meio de sua assessoria.

Na edição impressa da Revista Raça do mês de maio, estreei minha coluna destacando 10 títulos presentes na Netflix que, de alguma forma, já apontam para estas questões raciais. A ação vai de encontro ao manifesto Strong Black Lead, lançado em 2018, em que a plataforma assumiu o compromisso de representatividade de diversas vivências da negritude no audiovisual.

No perfil de adultos, aparecerão os 46 títulos selecionados pela Netflix, que vai desde o drama “Olhos que Condenam”, uma importante série que fala justamente sobre a violência institucional do racismo na polícia; até comédias como “Cara Gente Branca” que, pessoalmente, tem um dos melhores momentos no quinto episódio da primeira temporada, justamente sobre violência policial.
Estão presentes ainda na lista também documentários como “Minha História”, que conta a trajtória de Michelle Obama; “A 13ª Emenda”, sobre o sistema prisional estadunidense, e “Quem Matou Malcolm X?”, além da ficção científica “A Gente Se Vê Ontem”, entre outros.

A novidade desta coleção está também na coleção Todos Incluídos, uma lista selecionada especialmente para o perfil kids. São ao todo 24 títulos que abordam a questão racial, mas voltada para o público infantil. De forma inteligente e muitas vezes sutil, estão séries e filmes que proporcionam aos pais oportunidades de introduzir a questão racial com os filhos.

Entre títulos como “Reunião de Família”, “Motown Magic” e “A Grande Luta”, presentes na coleção, gostaria de ressaltar “Criando Dion”, uma série interessante com a temática geek/nerd bastante evidente e participação especial de Michael B. Jordan. Embora não tenha recebido mauita atenção em seu lançamento, arrisco dizer que esta é uma das melhores produções originais da Netflix. borda a monoparentalidade de uma mulher negra e seus desafios para criar seu filho super-herói.

Inicialmente, as histórias disponibilizadas nestas coleções se concentram majoritariamente às produções norte-americanas. Porém, em entrevista à revista Raça, a assessoria informou que está nos planos incluir conteúdos latino-americanos e outras produções em curso no continente africano.

Estas coleções são cuidadosas e especiais, principalmente para aqueles que desejam entender mais sobre como se dá a experiência racial nos Estados Unidos e não sabem por onde começar. Ambas as coleções estão disponíveis desde a meia-noite (horário de Brasília) de quarta-feira (10). Para acessar, basta digitar no campo de busca a frase “Vidas Negras Importam” ou “Todos Incluídos”.

 

*Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da RAÇA, sendo de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.

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Fernanda Alcântara

Fernanda Alcântara é jornalista, pesquisadora de quadrinhos e mestre em Comunicação na USP. Por quatro anos foi editora-chefe da Revista Raça e desde 2014 realiza palestras sobre temas como comunicação, diversidade e igualdade racial e de gênero. Fala sobre cultura pop, entretenimento e outras "nerdices".

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Há 24 anos no mercado, a pioneira e mais antiga publicação negra do Brasil.

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