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Entrevista com a Turma do Pagode

  • Autor: Redator

  • Publicado em: 15/10/2016

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Confira trechos da entrevista com o grupo Turma do Pagode

 

TEXTO: Fernanda Alcântara | FOTOS: Renato Bazan | LOCAL: Buffet Manaus | Adaptação web: David Pereira

Entrevista com a Turma do Pagode | FOTO: Renato Bazan
Entrevista com a Turma do Pagode | FOTO: Renato Bazan

Se você gosta de pagode, é praticamente impossível não ter ouvido falar deles. Estão nas rádios, na TV, e nos aparelhos sonoros da garotada. Conhecida Brasil afora, a Turma do Pagode mostra até hoje que um dos estilos considerados genuinamente cariocas pode, sim, vir de São Paulo. E mais do que isto, o pagode conseguiu manter viva a sua alegria e a boa qualidade musical no topo das paradas, mesmo depois da década de 1990, quando houve o grande sucesso de muitas bandas deste estilo musical.

Leiz (tantã e vocal), Caramelo (banjo e vocal), Rubinho (pandeiro), Thiago e Neni (percussão), Marcelinho TDP (cavaquinho), Leandro Filé (violão) e Fabiano Art (surdo) são personagens incríveis, que imprimem em seus respectivos instrumentos suas características próprias, gerando uma harmonia ímpar, essencial para a formação do grupo. Não é de se estranhar que estejam na estrada há tanto tempo – mais de dez anos – e mesmo assim se mantém unidos.

E eles colecionam números que provam o porquê de tanto sucesso. O mais recente trabalho gravado em estúdio, “O Som das Multidões” conquistou a impressionante marca de 25 mil CDs e DVDs vendidos em pouco menos de dez meses de seu lançamento, números surpreendentes para a música nacional. No Facebook, alcançaram a marca de mais de 3 milhões de fãs. A Turma do Pagode coleciona ainda fãs famosos, principalmente quando o assunto é futebol. Eles foram apontados pelo jogador Robinho e por Falcão, do Futsal, no quadro “Pistolão”, do Domingão do Faustão, da Rede Globo, como destaque musical. Fizeram show no casamento do jogador Dentinho, em 2012, e marcam presença até em treinos do Corinthians, afinal, são 7 corintianos contra apenas um palmeirense (Marcelinho TDP).

Formado por garotos excepcionalmente jovens e talentosos, o grupo chega a fazer 25 shows por semana, em diferentes regiões do país. Marcar uma entrevista com eles não foi nada fácil, afinal, para reunir os 8 integrantes em um dos poucos dias de folga, às vésperas do lançamento de um novo trabalho, foi necessário um mês de antecedência. Mas valeu a pena: alegres, esbanjaram simpatia em uma entrevista exclusiva à Raça Brasil, com direito a ensaio em um dos casarões mais importantes da cidade de São Paulo, o buffet Manaus.

Veja trechos da entrevista com a Turma do Pagode

Como vocês se conheceram e formaram o grupo?

Nossos pais já eram amigos. O Neri era vizinho do Thiagão, que era amigo do Rubinho, e eles já tinham um grupo antes da formação da Turma do Pagode. Eu sou irmão do Filé, e já era amigo do Fabiano, então todo mundo se conhecia. OCaramelo morava perto, o Marcelinho também. Daí a formação do primeiro grupo, que era o Arte de Amar, e depois o surgimento do Turma do Pagode, numa roda de samba que a gente fazia no Consulado da Cerveja. A gente pegou um daqui, outro dali, mas a primeira formação surgiu da amizade entre os pais e deles mesmos, por isso que as pessoas falam: “A Turma do Pagode surgiu em 94, então?”. Não, ela surgiu em 2000, mas 94 foi a primeira formação, na qual se encontraram Rubinho, Thiagão, Neni, Filé, e depois viemos eu, o Fabiano, o Marcelinho e o Caramelo.

O músico Rubinho da Turma do Pagode em entrevista à Raça | FOTOS: Renato Bazan
O músico Rubinho da Turma do Pagode em entrevista à Raça | FOTOS: Renato Bazan

De quem foi a ideia do nome “Turma do Pagode”?

Foi de um amigo nosso, o apresentador, cantor e político Netinho de Paula. Quando ele viu essa roda de samba que nós tínhamos, que era o Arte de Amar ainda, ele falou: “Poxa, isso aqui tem que virar um CD”, e formou-se um projeto em que o CD foi chamado de “Turma do Pagode”. Nós, do Arte de Amar, aposentamos aquele nome e pedimos autorização para ele e seguimos carreira com o nome Turma do Pagode. Ele deu ok, desejou boa sorte e estamos até hoje com esse nome.

Vocês têm uma base musical de samba de raiz, a percussão é de samba de raiz, mas misturam muito das letras de pagode. Como vocês lidam com essas classificações “samba”, “pagode”, e com a transição entre elas?

Não nos rotulamos, fazemos samba e pagode. A gente faz parte da música, somos do samba, e ele pode englobar todos os gêneros. Tem uma explicação boa: na verdade o pagode é uma festa, e nela o que se toca é o samba, então nós somos um grupo de samba que anima uma festa de pagode. O pagode em si é a união, a confraternização em que se toca samba. As pessoas que conhecem nosso trabalho sabem que não temos uma regra exata. Nosso ritmo é o samba, mas a gente pode cantar um partido alto com caixa e cuíca, assim como podemos regravar uma música da Claudia Leitte e pôr nossa característica. Não tem muito daquele preconceito: “Mas isso não é samba!”. É sim, se a gente tocar como samba! Se tem cavaquinho, pandeiro, [batida em ritmo] dois por quatro, virou samba. Inclusive, as letras das nossas músicas falam de qualquer assunto, temas sociais, amor, do próprio pagode.

Quem são as pessoas que inspiraram vocês ao longo da carreira?

Nos inspiramos uns nos outros, pra começar. Somos pessoas sérias e gostamos do que fazemos. Musicalmente, tem vários grupos que nós gostamos e que nos inspiram. Posso citar vários: o Netinho, que nos ajudou no começo, o Art Popular, Sensação, o pessoal da década de noventa – Soweto, Exaltasamba, Katinguele –, mais antigamente o Zeca [Pagodinho], Almir Guineto, Beth Carvalho. Foram esses que a gente começou a ouvir e resolveu que queria fazer algo parecido. Tem muita gente boa e são várias gerações, mas a inspiração para o trabalho vem da relação entre nós. O que queremos dizer é que hoje, quando vamos fazer um trabalho, nós já fazemos pensando no anterior, como foi. Você vai melhorando a receita. Antigamente, a gente se baseava mais no que outro artista já tinha feito, porque ainda não tínhamos uma identidade concreta, mas agora já temos o que reformar. E a gente é chato! Quer um grupo chato? É o Turma do Pagode, porque a gente é fino. Fomos influenciados por “n” grupos, masprincipalmente o Fundo de Quintal, porque era muito puro o som deles. Dá para ouvir cada instrumento e a gente tentava criar a partir daí. Era a própria ideia do grupo, porque os sambistas de antigamente eram na maioria cantores, então, da nossa geração, o primeiro grupo que a gente viu assim foi o Fundo de Quintal.

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