Sumir sem explicação, apagar contatos, evaporar como se nada tivesse acontecido. Esse é o ghosting, o silêncio que deixa mais perguntas do que respostas e que se tornou uma das maiores frustrações nos relacionamentos modernos. Mas o que realmente está por trás desse desaparecimento súbito?
Especialistas em comportamento apontam que o ghosting não é sobre quem fica, mas sobre quem vai embora. Evitar conversas difíceis, confrontos ou o simples ato de se expor emocionalmente é o principal motor desse comportamento. Na prática, o sumiço funciona como um escudo: uma forma de fugir do desconforto sem enfrentar a verdade.
A cultura digital intensifica esse fenômeno. Aplicativos de encontros, redes sociais e mensagens instantâneas criam relações descartáveis, em que o ghoster pode desaparecer sem deixar rastros. O resultado? A pessoa que fica se vê presa em dúvidas, ansiedade e insegurança, tentando decifrar sinais que nunca existirão.
Pesquisas mostram que o impacto emocional do ghosting é profundo. É como se uma ferida ficasse aberta, porque a ausência de explicação prolonga a dor e dificulta seguir em frente. Para quem some, tudo é simples e sem peso. Para quem fica, cada mensagem não respondida é um lembrete do abandono e da indiferença.
Mas há algo ainda mais intrigante: o ghosting revela muito sobre as relações da era digital, o medo de compromisso, pressa em escapar de desconfortos e a tendência de tratar conexões humanas como descartáveis. É uma prática que mistura conveniência com covardia emocional, e que ainda confunde intimidade com superficialidade.
No fim, o silêncio é mais eloquente do que qualquer desculpa: ele expõe quem não está pronto para estar presente de verdade. E, enquanto isso, quem ficou aprende a ler nas entrelinhas, a questionar padrões e a valorizar mais quem realmente escolhe ficar.
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