A cantora, compositora e deputada estadual Leci Brandrão escreve esta coluna em homenagem a Nelson Mandela

 

TEXTO: Leci Brandão | FOTO: Divulgação | Adaptação web: David Pereira

O líder sul-africano Nelson Mandela | FOTO: Divulgação

O líder sul-africano Nelson Mandela | FOTO: Divulgação

A vida do nosso povo, do povo negro, sempre foi motivo para as letras das minhas músicas. Apesar disso, durante muitos anos sequer cogitei que o que eu fazia era política. Muitos anos depois, a convivência com a militância do movimento negro e de pessoas ligadas a partidos políticos me deu a dimensão do que é fazer política. Por isso, diferente da maioria dos militantes da minha geração, só fui conhecer, de fato, Nelson Mandela, em 1º de agosto de 1991, quando ele veio ao Brasil acompanhado de Winnie Mandela, com quem era casado na época. Foi um encontro que marcou definitivamente minha vida e que me inspira até hoje.

Mandela tinha acabado de sair da prisão e ainda não havia sido eleito presidente. Veio representando seu partido, o Congresso Nacional Africano, e pediu apoio ao Brasil para manter as sanções na luta contra o fim do apartheid. A visita de Nelson Mandela foi um marco para os negros brasileiros e para o movimento negro. Recebi o convite do meu querido amigo Martinho da Vila para participar de um show no Sambódromo do Rio em homenagem ao líder sul-africano. Ali cantamos “Sob o sol de Johannesburgo”, composta por Martinho da Vila. Cerca de 40 mil pessoas estavam lá para homenagear Mandela. Foi realmente emocionante. Algum tempo depois, quando gravei “Talento de Verdade”, citei Winnie Mandela ao falar da garra das mulheres negras. “Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor da sua pele, do seu histórico ou da sua religião. As pessoas aprendem a odiar, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, porque o amor vem ao coração humano mais naturalmente do que o seu oposto”. Essa é uma das citações de Mandela que mais me impressionam pela lucidez e sabedoria.

Mandela tem inspirado as pessoas em todo o mundo. Passar 27 anos preso e perseverar na luta é realmente um exemplo a ser seguido por todos que estão na batalha cotidiana por justiça social e pela liberdade.Para mim, o grande legado que Mandela deixa é sua generosidade e sua perseverança.Vá em paz, Madiba!

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