O colunista Moisés da Rocha escreve sobre a importância do Dia da Consciência Negra. Confira

 

TEXTO: Moisés da Rocha | FOTO: Divulgação | Adaptação web: David Pereira

O colunista Moisés da Rocha | FOTO: Divulgação

O colunista Moisés da Rocha | FOTO: Divulgação

Duas vezes por ano, a saga da raça negra vira noticiário no Brasil. A primeira, 13 de maio, marca a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel, em 1888, oficialmente a data da libertação dos escravos no Brasil. A outra data é 20 de novembro, dia da morte do grande líder quilombola Zumbi de Palmares, adotada pelo Movimento Negro Unificado no ano de 1978, que considerava a Lei Áurea mais um ato para livrar da responsabilidade social e moral a elite do país, com o que sobrou da escravaria, do que qualquer outra coisa.

Aliás, o Brasil, último país da América a libertar seus escravos, promoveu uma abolição inacabada! As entidades negras conseguiram que o dia 20 de novembro fosse decretado feriado em várias cidades do Brasil como dia da Consciência Negra.

Nos livros didáticos, os negros representam uma subcultura. Contam que vieram em navios negreiros, citam a capoeira e a culinária exótica, destacando a feijoada, que foi criada porque precisavam aproveitar os restos de comida dos seus “donos” até que, finalmente, foram libertados por uma “santa” chamada princesa Isabel. Mas, após mais de 120 anos da declaração de libertação dos escravos, seus descendentes continuam vivendo sob outro regime de escravidão, latente no preconceito. Faltam direitos e reais oportunidades dentro da nossa sociedade, uma falsa democracia racial cada vez mais violentamente escancarada. Felizmente, vãs tem sido as tentativas denegar a contribuição dos braços e mentes africanas e de seus descendentes na construção desta nação.

E nas artes, então... São incontáveis os ritmos quese originaram dos batuques dos escravos. Onde teve senzala, teve origem o samba, com suas características e nomes regionais. Esse ritmo, outrora discriminado e perseguido pela polícia, cada vez mais se organiza nas comunidades periféricas em verdadeiros quilombos de resistência cultural. O Carnaval, nas suas mais variadas formas de origem, tem cobertura midiática que alcança audiência no Brasil e no mundo.

O Dia do Samba

A exemplo do que vem acontecendo com outras artes de origem africana, em dois de dezembro, a Secretaria de Cultura do Município de São Paulo, por meio do seu titular, Juca Ferreira, passou a reconhecer o samba como Patrimônio Imaterial da Cultura, em cerimônia e roda de samba inesquecíveis no palco do Teatro Municipal. Na sequência, foi realizado um seminário para discutir o Carnaval de Rua da cidade, em seus vários aspectos. Houve também uma discussão sobre organização e segurança, em um momento de grande troca de experiências. Participaram representantes de carnavais de várias partes do Brasil e de outros países também. O resultado foi o que o mundo todo viu: o Carnaval de Rua de 2014 foi brincado na cidade, nos mais variados bairros, embalados por mais de duzentos blocos, bandas e cordões. Aos poucos, o paulistano, ainda quatrocentão, vai perdendo sua carranca e seu preconceito!

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