Com a notícia do casamento entre o príncipe Harry e a atriz Meghan Markle, marcado para o ano que vem, muitos internautas celebraram a chegada de uma mulher de origem negra à família real britânica. No entanto, a americana provavelmente não é a primeira: historiadores acreditam que a rainha Charlotte, mulher do Rei George II, tinha ascendência africana. O casal real dos séculos XVIII e XIX teve 15 filhos.

Em entrevistas, Meghan, que se define como mestiça, sempre fez questão de destacar as suas raízes. A mãe, Doria Ragland, se formou em trabalho social e atua como psicoterapeuta e professora de ioga. Já o pai, Thomas W. Markle, é diretor de iluminação, vencedor do Emmy. A profissão do pai fez com que a americana frequentemente visitasse sets de filmagem e se apaixonasse pela arte da atuação.

No caso da rainha Charlotte, o historiador Mario De Valdes y Cocom argumenta que ela pode ter sido descendente direta de um núcleo negro da família real portuguesa, iniciado quando Alfonso III teve três filhos com a sua amante Ouruana, uma mulher moura, no século XIII. Segundo o pesquisador um destes filhos foi Martin Alfonso, que se casou com outra família nobre com ancestrais negros.

Séculos mais tarde, em 19 de maio de 1744, nasceu a rainha Charlotte na Alemanha. Ela era a filha mais nova do duque Carl Ludwig Friedrich e da princesa Elisabeth Albertine. Aos 17 anos, viajou ao Reino Unido para se casar com o rei George III.

De acordo com Valdes, a rainha era descrita no seu tempo como uma mulher "pequena e curva", cujos lábios e nariz eram espessos. À época, ela teria chamado a atenção dos negros, que já então acreditavam que ela tinha descendência mestiça.

Falecida em 1818, Charlotte teria passado a herança genética mestiça à sua neta, a rainha Vitoria, e à rainha Elizabeth II, que ocupa hoje o trono.

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