Mercado publicitário ganha força com coletivo para negros

Redaçãooutubro 13, 20203 min
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Sempre é a mesma coisa: em qualquer trabalho publicitário, só há pessoas brancas. Ou uma única pessoa negra. Visando essa dificuldade de espaço, que acaba por desencorajar jovens no mercado, seis publicitários negros criaram o coletivo Gana, om foco em conteúdo, podcast, design e audiovisual.

A ideia é mostrar como a diversidade pode ampliar o olhar e apresentar reflexos na qualidade dos produtos finais. Ary Nogueira, um dos responsáveis, destaca que os sócios preferem não chamar de agência.

“Queremos trabalhar outros formatos, somos mais um estúdio de criatividade”, explica.

Do portfólio eles destacam trabalhos com a Boogie Naipe –produtora que administra a carreira dos Racionais MC’s–, Oliver Press, Ponte Jornalismo e a Trace TV, que chegou recentemente ao Brasil.
“Falamos as diversas línguas das periferias do Brasil porque crescemos nelas. Conhecemos as estratégias para conversar com o público negro porque somos esse público. E somos maioria no país. Nossa cultura cria ideias que correm o mundo”, diz o texto de apresentação da agência.

Em setembro de 2019, grandes agências de publicidade do país celebraram um acordo com o Ministério Público para a inclusão de jovens negros universitários em seus grupos de colaboradores.

“A representatividade desses profissionais no setor é de 3%”, diz Valdirene de Assis, procuradora do Ministério Público do Trabalho em SP e coordenadora do Projeto Nacional de Inclusão de Jovens Negros Universitários. Mas ela diz já ver progressos.

“As inclusões estão acontecendo. Além disso, o produto que a publicidade tem entregado para a nossa sociedade está mais diverso do ponto de vista étnico-racial.”

Segundo a procuradora, o setor de publicidade foi selecionado não só pela pequena representatividade de profissionais negros mas também “pelo poder de persuasão que a publicidade exerce no público em geral”.

“Infelizmente não podemos dizer ainda que a população negra consegue se enxergar na publicidade que é apresentada no Brasil.”

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Há 24 anos no mercado, a pioneira e mais antiga publicação negra do Brasil.

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