A zagueira inglesa Jess Carter, de 27 anos, vive um dos maiores momentos da carreira ao representar a seleção da Inglaterra na Eurocopa 2025. Titular em todos os jogos até agora, ela é parte essencial de uma equipe que carrega o sonho de levantar o troféu continental. Mas, enquanto brilha dentro de campo, fora dele enfrenta uma realidade dolorosa: o racismo.
Desde o início da competição, Jess vem sendo alvo de ataques racistas nas redes sociais. Neste domingo (20), ela decidiu se afastar temporariamente das plataformas digitais, buscando preservar sua saúde emocional e manter o foco no torneio.
“Cada torcedor tem o direito de opinar sobre desempenho e resultados, mas não é aceitável atacar alguém por sua aparência ou raça”, desabafou a jogadora em um post. “Estou fazendo isso para me proteger e continuar ajudando minha equipe da melhor forma possível.”
Mulher, negra e atleta de alto nível, Jess representa muitas outras pessoas que enfrentam as mesmas dores em silêncio. Sua decisão de falar abertamente sobre o racismo que sofre é um ato de coragem — e um grito por mudança. “Espero que falar abertamente faça com que as pessoas que escrevem esses abusos pensem duas vezes, para que outros não tenham que lidar com isso”, escreveu.
O caso de Jess comoveu colegas de time, dirigentes e torcedores. O CEO da Football Association, Mark Bullingham, declarou apoio à atleta e informou que a polícia do Reino Unido já foi acionada. “Condenamos veementemente esse racismo repugnante. Estamos com Jess e vamos fazer tudo para que os responsáveis sejam punidos.”
Como resposta simbólica, a seleção inglesa decidiu que não irá mais se ajoelhar antes das partidas — um gesto que era adotado como protesto contra o racismo. “Está claro que precisamos encontrar outras formas de enfrentar essa luta”, disse o time. “Estamos com Jess e com todas as jogadoras, do passado e do presente, que já sofreram com o racismo.”
Representar seu país deveria ser apenas motivo de orgulho. Mas para muitas atletas negras, como Jess, esse sonho ainda vem acompanhado de dor. Ser boa não basta. Ser brilhante não é suficiente. Ainda assim, elas seguem rompendo, resistindo e abrindo caminho para que outras venham com mais força e menos medo.
A UEFA, órgão máximo do futebol europeu, também se posicionou: “Abuso e discriminação nunca devem ser tolerados, seja no futebol ou na sociedade, pessoalmente ou online. Estamos com Jess”.
Que a força de Jess Carter não precise mais ser usada para resistir ao preconceito — mas apenas para fazer o que ela ama: jogar futebol.