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Mesquita comemora o dia Internacional da Mulher Negra Latina Caribenha e homenageia Teresa de Benguela.

  • Autor: hamalli

  • Publicado em: 27/07/2018

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Mesquita comemora o dia Internacional da Mulher Negra Latina Caribenha e homenageia Teresa de Benguela.

Na última quarta-feira (25), a Prefeitura de Mesquita através de suas Coordenadorias de Promoção de Igualdade Racial, Políticas para Mulheres e da Assistência Social, promoveu a Palestra sobre o “Empoderamento, Direitos e Saúde da Mulher Negra”.

Para ocasião, a palestrante convidada foi a Izabela Clementino de 23 anos moradora da baixada mesquitense. Izabela é Bacharel em Enfermagem, foi a única negra premiada por seu projeto científico denominado “Assistência de Enfermagem para a Mulher Homoafetiva”, no concurso que foi realizado pelo Instituto Fernandes Figueira da Fiocruz, que assiste mulheres gestantes, parturientes e neonatos. Atualmente, a enfermeira é docente em duas escolas Técnicas, pós-graduanda em Anatomia e Fisiologia Humana pela Universidade Castelo Branco e Docência em Nível Superior em Enfermagem pela Prominas.

Durante a palestra, Izabela iniciou seu discurso explicando o porquê da luta das mulheres negras latinas e caribenhas, que era por ocuparem o 4º lugar na sociedade em função de estereótipos. Em seguida, falou da história icônica de Teresa de Benguela e seu quilombo, assuntos sobre a escravidão e as doenças atuais que acometem as mulheres negras.

Embasada pelo seu estudo, ela justifica e cita as doenças genéticas advindas do período escravocrata, em função de como os negros eram tratados e as consequências dos resquícios da escravidão nos dias atuais, ou seja, doenças que afetam a maioria da população negra. Por fim, passando sobre assuntos do embranquecimento negro( na tentativa de se encaixarem em um “padrão de beleza”), da associação do corpo negro à sexualidade, do comparativo do racismo inverso relacionado à miscigenação e/ou colorismo, da comparação sobre a classificação econômica familiar e intelectual entre negros e brancos,  a jovem finalizou relembrando frases pejorativas sobre os traços da raça negra (cabelo, nariz, boca e etc) ainda presentes nos dias de hoje, que inclusive, ouviu em sua própria trajetória profissional.

Além de toda essa bagagem de conhecimento, Izabela Clementino é membro dos Coletivos do NUPEENF (Núcleo de Pesquisas Estudos em Enfermagem) da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) na unidade Maracanã e do Coletivo Mulheres Negras Cláudia Silva na unidade São Gonçalo, aonde realiza e participa das rodas de conversas sobre o empoderamento negro e questões sexuais.

Segundo a enfermeira, “ficou lisonjeada em ser convidada para falar do tema, já que é militante e fomenta em suas atividades minimizar os impactos negativos raciais, de saúde e de gênero”. Para Cláudio Macalé, Coordenador de Promoção da Igualdade Racial de Mesquita, que foi o responsável em fazer o convite com apoio da Prefeitura e suas Secretarias, disse: “precisamos trazer referências locais, que se destacam para inspirar outras pessoas, principalmente os Jovens”. Para Macalé, “o fomento em prol da Igualdade de oportunidade Racial não pode acontecer somente em datas emblemáticas, mas o ano todo”, por isso em sua gestão atua junto à prefeitura nos planos voltados para promoção de políticas públicas para a pró-equidade de raça e gênero.

Além de docentes, alunos e a sociedade civil, estiveram presentes o Prefeito Jorge Miranda, Patrícia Xavier Coordenadora de Políticas para Mulheres, Cristina Quaresma Secretária de Assistência Social, Vereadora Cris Gêmeas, Flávio Rossini Subsecretário dos Direitos Humanos, Kleber Rodrigues Secretário de Cultura Esporte e Lazer e Paulinha Única Coordenadora da Diversidade Sexual.

O evento foi encerrado com a fala do Prefeito Jorge Miranda que não economizou elogios à jovem, como também das autoridades presentes. Enfim foram muitos aplausos para palestrante, que deu mais que uma palestra, deu aula. Izabela não é só um exemplo para o município de Mesquita, mas também, para todo País.

Avante Izabela! Representatividade importa sim!

Por Emanuele Sanuto

 

 

 

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