Veja detalhes do desfile ocorrido na Bahia repleto de moda afro

 

TEXTO: Redação | FOTO: Ronaldo Silva | Adaptação web: David Pereira

 

Moda negra na Bahia | FOTO: Ronaldo Silva

Moda negra na Bahia | FOTO: Ronaldo Silva

Hoje, o que vemos e podemos sentir de Salvador ao redor do Brasil e do mundo no que diz respeito à estética, começou nos terreiros de candomblé, onde a autoestima nunca se viu ameaçada por um ideário racista do estilo ocidental. As yás, iabás e yalorixás, com seus turbantes exuberantes, usam suas vestes para saudar os orixás em rituais de religiosos. Essas roupas têm como essência a moda africana e africanizada no Brasil.

O desfile histórico, ocorrido em Salvador, mostrou a evolução desta moda nascida e inspirada nos terreiros de candomblé - moda que ganhou as ruas da capital soteropolitana e invadiu o Brasil e o mundo. A primeira parte do desfile trouxe a historia e a estética dos turbantes, que nasceram dentro do candomblé e ganharam a graça e as ruas de Salvador, como narrou Irani Santana, diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. O acessório tem significados étnicos e religiosos dentro da religião.

O evento continuou com a grife do Ylê Aiyê fazendo uma retrospectiva dos 40 anos que marcaram sua presença na Bahia e sua influência nas mudanças comportamentais dos soteropolitanos. Desfilou também a Negrif, com modelos estonteantes, e Beth Lima arrasou com um trabalho maduro que empolgou os convidados, Quando tudo parecia estar perto do fim, entrou em cena a negra Jhô, com um trabalho excepcional de cabelos.

A noite foi encerrada com a apresentação de uma coleção especial para o evento da maior estilista negra da Bahia na atualidade, Monica Anjos, que se inspirou na arte e resistência do bloco que nasceu no terreiro e influenciou o orgulho do jeito de ser do baiano, o Ylê Aiyê.

Para a Raça, ter participado como convidada de honra em um momento tão especial da moda brasileira foi uma grande satisfação, e uma forma de “entender mais sobre Bahia e Brasil”, segundo Maurício Pestana, representante da revista na ocasião, hoje secretário adjunto da SMPIR- Secretaria Municipal da Igualdade Racial da Cidade de São Paulo.

Entre oficinas, workshops e apresentações musicais, o evento deixou um exemplo de que é possível o maior país negro fora da África produzir uma moda que se inspire na diversidade da raiz africana.

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