Saiba mais sobre o racismo e o processo de branqueamento do futebol brasileiro

 

TEXTO: Roseli Machado | Colaboração: Matheus Silva Graner | FOTO: Shutterstock | Adaptação web: David Pereira

O racismo no futebol | FOTO: Shutterstock

O racismo no futebol | FOTO: Shutterstock

Na recente novela global “Lado a Lado”, protagonizada por Lázaro Ramos e Camila Pitanga, abordou um pouco do universo do início do século XX, apresentando o futebol como um esporte de elite, para brancos ricos, letrados e “bem nascidos”. Estratégias como o pagamento de altas taxas pelos associados das agremiações funcionavam para afugentar a população operária e pobre. Negros eram proibidos de participar. Apesar da visão do futebol enquanto motivador da “identidade nacional” - representada pelo “esporte paixão”, mote para a “coesão social”, a partir da então chamada “democracia racial” - em toda a sua história, até mesmo nos times multirraciais do século passado, entre um branco e um negro de iguais qualidades e potencialidades, ficava-se com o branco.

Quando isso se estende para além dos jogadores, a situação se apresenta ainda mais crítica. Treinadores, dirigentes, árbitros e auxiliares, entre outros, são vitimados pelo que se pode chamar de “racismo envergonhado”: aquele que não é explícito, por isso mesmo tão mais difícil de ser combatido. Os resultados estão aí. Basta olhar e ver quantos representantes da raça negra ocupam estas e outras posições de trabalho.

Recentes pesquisas - como as de Damo, Oliven, Novaes e Tonini - apontam para a questão do racismo no futebol do Brasil. O branqueamento do universo do futebol é uma dessas facetas, seja em termos de um maior número de jogadores brancos em relação aos negros, ou ainda no que se refere à torcida que vai aos estádios profissionais de futebol. Será que estamos retomando a discriminação camuflada do início do século, com os ingressos apreços cada vez mais impraticáveis para pobres e pretos? Justamente o Brasil, país mestiço em sua essência (e talvez por isso mesmo), estaria elitizando, mais uma vez, a participação popular no esporte das multidões? Será que, justamente agora que se pensa em equipar e redefinir o futebol, abandonaremos o que fez desse esporte algo tão popular, tão próprio e cheio de arte como é a tradição brasileira?

No futuro, serão nossos vídeos e capas de revistas os agentes históricos que contarão essa verdade de tempos embranquecidos no futebol brasileiro. Num país em que se ousa questionar a existência ou não do racismo, mesmo com todos os irrefutáveis fatos ao nosso redor a todo o tempo, sentimos gradualmente a exclusão do povo negro nesses espaços.

 
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