Conheça o personagem conhecido como Marungo ou palhaço, figura típica da Folia de Reis

 

TEXTO: Priscila Gorzoni | FOTO: Priscila Gorzoni | Adaptação web: David Pereira

Marungos da Folia de Reis | FOTO: Priscila Gorzoni

Marungos da Folia de Reis | FOTO: Priscila Gorzoni

Folia de Reis não tem a menor graça sem eles, os marungos ou palhaços, que vão junto à bandeira, com roupas coloridas e espada na mão animando os espectadores. “Eles aparecem em dois, porque em três as pessoas confundem com os três Reis Magos. Têm a função de fazer brincadeiras e assustar o Rei Herodes para os Reis Magos passarem”, explica Wilson. Em cada lugar recebem um nome diferente.Marungo, batião ou palhaço. A função deles é guardar a bandeira. Onofre Batista, de 83 anos, natural de Mococa, interior de São Paulo, é um dos marungos mais antigos de São Caetano do Sul. Foi o mestre Olegário que, um dia, na falta de um dos marungos, fez o convite a Onofre pedindo que tocasse alguma música para ele dançar. “Me olhando dançar, um cantador velho do grupo disse: ‘Esse camarada aí é bastião velho, ele sabe dançar!’. Sempre acreditei também, tanto que até pedi aos Três Reis Santos pela minha esposa antes de sua operação e consegui passar o natal com ela”, lembra.

Os marungos têm regras a obedecer. Segundo Onofre, uma delas é respeitar a casa onde entra. Pode chegar brincando, andar junto da bandeira, louvar o presépio sem máscara, mas nunca mexer nas coisas da casa. Outro aspecto importante é cantar, não importa para quem e independente de receber oferta ou não.

Ser marungo no interior de Minas e de São Paulo é bem mais trabalhoso. Pedro Ferreira, de 60 anos, e o filho Wagner Ferreira, de 26 anos, que o digam. Pedro é o marungo mais antigo de São Thomé das Letras, no Sul de Minas Gerais. Todo o ano sai com o grupo Folião da Serraria e reveza com o filho a função de palhaço. Diz que vai largar o oficio devido a idade, mas não consegue, pois com os outros foliões acabou formando uma família.  Embora a tradição da folia não tenha vindo por herança, é como se já fizesse parte do seu sangue. Mas não é fácil desempenhar a função. “É preciso ser disciplinado, respeitoso e engraçado”, ensina, afinal, é o marungo quem chega primeiro nas casas e pede a comida e o pouso. “Tem gente que só nos deixa passar a bandeira, outros deixam cantar e tem os que não deixam nem cantar e nem passar a bandeira. Nós respeitamos. Saímos e agradecemos sempre”, conta.

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