Projeto culinária musical
Saiu na raça 226
De Salvador, projeto Culinária Musical celebra 4 anos de gastronomia, afeto e arte
Texto Redação – Foto acervo pessoal
Da união de um ambiente agradável com boa música, ótimo papo com amigos e comida que remete aos almoços em família – daqueles que ficam eternizados na memória afetiva-, surgiu, em 2017, o projeto Culinária Musical idealizado pelo ator do Bando de Teatro Olodum, produtor cultural e também Afrochefe, Jorge Washington. A união da boa música aos pratos da gastronomia popular tem conquistado um público fiel, que tem transformado o evento em um encontro de arte e formação a cada edição.
Pautado sempre pela militância na causa negra, Jorge Washington, ou melhor, o Afrochefe Jorge Washington desde a adolescência já contava com o aval dos amigos mais próximos e dos participantes dos eventos promovidos pelo Bando de Teatro Olodum, como a Feijoada do Teatro Vila Velha, para o seu tempero e talento na cozinha.
A dedicação pela culinária começou ainda na infância, quando Jorge já era o titular entre os irmãos para receber as notas e ir à feira comprar os ingredientes para ajuda sua mãe Georgina Rodrigues da Silva. Daí para pegar o gosto foi fácil. Após a fase de compra dos materiais, ele foi paulatinamente alcançando outros cargos e ocupando a função de cortar temperos, tratar as carnes e, finalmente, aprender as formas e estratégias para deixar cada preparação mais saborosa. Hoje todo esse talento está à disposição do público no Culinária Musical.
Janela para artistas
Depois de mais de 70 edições com a participação de mais de 2 mil pessoas em quatro anos, o projeto Culinária Musical chegou em 2021 se estabelecendo na agenda cultural de Salvador, com uma nova configuração: virtual, por conta da pandemia. Um projeto que hoje, além de ser um ponto de convergência de cantores (as) e compositores (as) negros e negras da cidade, é um espaço para desfrutar de uma culinária especial preparada pelo Afrochefe, nome que Jorge Washington passou a usar no projeto. E não só de Salvador. Com a virtualidade, o Culinária passou a abraçar também artistas de outros estados. Nestes quatro anos, além da gastronomia e da música, a iniciativa ja abrigou também lançamentos de livro, desfiles de moda, performances de dança e intervenções poéticas.
Um chef que mistura as culinárias afrobrasileira, sertaneja, nordestina a suas lembranças familiares, Jorge Washington reúne também seu carisma e bom gosto, desde a escolha dos ingredientes até as atrações musicais – em sua maioria artistas negros que já possuem algum reconhecimento até aqueles que buscam uma janela para divulgar sua arte.
Bacalhau martelo, galinha ao molho pardo, moqueca de feijão, xinxim de bofe, moqueca de miraguaia e o sarapatel, por exemplo, são pratos que fazem sucesso, sem contar as criações ou adaptações, como moqueca de carne seca com mamão verde, fígado com maxixe e outros pratos que podem surgir no processo de escolha da comida do dia, além da Maxixada de Carne Seca, prato que ganhou, recentemente, prêmio da TV BA – o Panela de Bairro.
“O Culinária Musical é uma revisita a essa culinária afro-brasileira, no qual fazemos uma viagem de volta aos ingredientes das nossas origens.
Essa mistura que fazemos com a música, a dança e a poesia, trazendo gente nova e misturando com pessoas mais velhas, tem gerado encontros poderosos. Com o formato virtual, vejo que mais pessoas estão conhecendo o projeto, participando, então o reconhecimento do Culinária Musical tem sido grande, o que em muito nos fortalece pra mantê-lo na cena cultural soteropolitana e, agora, nacionalmente”, Jorge.
Em 2021, quando o Culinária comemora 4 anos, o projeto se adaptou ao universo virtual, tendo em vista as limitações colocadas pela pandemia da Covid -19. Toda programação, que agora conta com 2 edições mensais, pode ser assistidas pelo Youtube da Casa do Benin.
Casa que recebia o Culinária Musical quando presencialmente. Mais de 1300 pessoas já visualizaram as edições virtuais, consagrando o projeto também nesta esfera. E para além da diversão, o Culinária agora também conta com as Sextas Formativas, que são espaços de diálogo entre o afrochefe e um convidado que também traga sua culinária afetiva para o público. Os encontros formativos também acontecem online, no mesmo endereço. A formação também é o intuito da Oficina de Culinária Afetiva que o afrochefe incorporou ao projeto este ano. Ação que tem estimulado convites para ações virtuais em outros projetos – em escolas e empresas. Youtube Casa do Benin