Revista Raça Brasil

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Quando a violência vem pelo digital

A violência digital contra mulheres tem se tornado um fenômeno crescente, com impactos profundos sobre a saúde mental a participação social e a segurança online. Estudos recentes de psicologia social e comportamental mostram que ataques virtuais que incluem ameaças de morte, estupro, assédio sexual, difamação e exposição não consensual de imagens, são motivados por uma combinação de fatores como misoginia, desejo de controle, ansiedade social e reforço de normas patriarcais.

Pesquisas indicam que o anonimato da internet e a baixa percepção de punição fortalecem comportamentos agressivos. Segundo estudos do Centro de Estudos sobre Violência e Comportamento Digital da Universidade de São Paulo, indivíduos que realizam ataques online frequentemente apresentam traços de hostilidade, necessidade de dominação e internalização de preconceitos de gênero, que se manifestam de maneira amplificada no ambiente virtual. Esses ataques não apenas afetam a vítima individualmente, mas também visam desestimular a participação de mulheres em espaços públicos, políticos ou profissionais.

Além do impacto psicológico imediato que pode incluir ansiedade, depressão, síndrome de estresse pós-traumático, isolamento social e retraimento digital, os ataques online podem gerar efeitos de longo prazo, como insegurança na carreira, restrição da expressão pública e medo de engajamento político. Estudos de comportamento digital do Pew Research Center indicam que mulheres com visibilidade pública, ativistas, jornalistas, parlamentares e acadêmicas são os grupos mais frequentemente atacados.

A psicologia comportamental sugere que tais ataques são reforçados por mecanismos de recompensa social e validação entre grupos que compartilham crenças misóginas ou ideologias extremistas. Plataformas digitais podem, involuntariamente, amplificar a hostilidade ao permitir disseminação rápida de conteúdo abusivo, comentários agressivos e mobbing virtual. Redes de apoio, grupos de denúncia e programas de alfabetização digital são considerados estratégias essenciais para mitigar esses impactos.

Estudos também mostram que a educação emocional e o fortalecimento de competências digitais contribuem para a resiliência das vítimas, ajudando-as a lidar com agressões de maneira mais estratégica e protegida. A psicóloga social Maria Luiza Costa, da Universidade Federal de Minas Gerais, destaca que políticas de prevenção e regulamentação das plataformas, somadas ao suporte psicológico e jurídico, são fundamentais para reduzir a incidência de ataques e seus efeitos psicológicos.

Diante desse cenário, fica claro que a violência digital contra mulheres é um fenômeno complexo, motivado por fatores psicológicos, sociais e culturais. Sua mitigação requer abordagens multidisciplinares, envolvendo educação, legislação, suporte psicológico e engajamento comunitário, garantindo que mulheres em diferentes contextos possam ocupar espaços de forma segura e plena.

Essa publicação é fruto de uma parceria especial entre a Revista Raça Brasil e o Fórum Brasil Diverso, evento realizado pela Revista Raça Brasil nos dias 10 e 11 de novembro, que celebra a diversidade, a cultura e a potência da música negra brasileira. Não perca a oportunidade de participar desse encontro transformador — inscreva-se já http://www.forumbrasildiverso.org

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