Sapucaí

hamallifevereiro 25, 20206 min
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Com o céu limpo de nuvens e sem uma gota de chuva, seis escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro desfilaram na Passarela do Samba, no Centro da cidade, na noite de domingo (23).

Campeã da Série A no ano passado, a Estácio de Sá abriu a folia trazendo a atriz Cinara Leal como uma das musas no enredo Pedra, da carnavalesca Rosa Magalhães.

A  Viradouro  esbanjou luxo em seu desfile em homenagem às ganhadeiras de Itapoã, na Bahia, com o enredo Viradouro de Alma Lavada.

Um aquário com sete mil litros de água engrandecia a comissão de frente. Nele, Anna Giulia, atleta da seleção brasileira de nado sincronizado, dava mergulhos de tirar o fôlego do público.

A escola de samba azul e branco, de Niterói, município da Região Ocânica, levou para a Marquês de Saucaí o enredo Os Tambores de Olokum, uma homenagem ao maracatu, uma das maiores tradições do Pernambuco.

Cristo negro na verde e rosa

Atual campeã do carnaval carioca, a Mangueira levou para a Marques de Sapucaí o enredo A Verdade Vos Fará Livres, do carnavalesco Leandro Vieira. Logo de início, 20 religiosos de diferentes grupos exibiam uma faixa na qual pregavam a liberdade religiosa.

“Independente de sua fé, o respeito deve prevalecer”, dizia.

No carro abre-alas mostrou o presidente de honra, Nelson Sargento, era José, e a cantora Alcione, Maria. Outro momento sublime foi na quarta alegoria. Oriundo de uma comunidade, Cristo, negro, aparecia crucificado. Houve ainda

referências a indígenas, mulheres e membros da comunidade LGBT.

A Tuiuti destacou um enredo  que fez referência a São Sebastião e ao rei português, Dom Sebastião, que desapareceu no século 16.

A Acadêmicos do Grande Rio foi a quinta a desfilar e prestou uma homenagem ao pai de santo Joãozinho da Gomeia. Dois carros alegóricos tiveram problemas, mas os componentes estavam empolgadíssimos com a bateria de Mestre Fafá.

Ilha estoura tempo e perde ponto

Escola considerada a mais alegre do carnaval carioca, a União da Ilha do Governador fez o desfile mais surpreendente da noite. Na comissão de gente, 15 crianças simulavam menores de rua e fizeram uma performance arrebatadora. Seus destinos eram narrados na letra do samba e em determinado momento, eles se transformavam em profissionais bem sucedidos, num claro recado de que a educação salva e é a única saída. A alegoria da comissão mostrava a figura de Carolina de Jesus, mulher negra de favela que se tornou uma grande escritora.

Em meio a várias situações realistas, o enredo enredo Nas Encruzilhadas da Vida, Entre Becos, Ruas e Vielas, a Sorte Está Lançada: Salve-se Quem Puder! deixou a Sapucaí tão animada quanto os componentes da Ilha. Com tudo, um problema no motor do terceiro carro alegórico, que teve que ser empurrado e acabou gerando atraso de um minuto, o que ocasiona perda de um décimo.

Rainha pede proteção

Com sua imponente águia, a Portela encerrou a primeira noite do Grupo Especial com um enredo sobre os tupinambás e o “paraíso” que encontraram no Rio de Janeiro antes da colonização.

Coreografada por Carlinhos de Jesus, a comissão de frente narrou o ritual de canibalismo dos guerreiros tupinambás. Emocionando e surpreendendo, a porta-bandeira Ruth Alves encenou o mito de origem tupinambá, com a dançarina grávida dando à luz ao filho da Portela no meio do desfile.

Escoltada pelo pai coruja, a rainha de bateria, Bianca Monteiro, oriunda da comunidade, representou a Cabocla Jurema, uma entidade da umbanda.

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