Revista Raça Brasil

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Toni Garrido transforma polêmica em reflexão sobre afeto, arte e representatividade

Toni Garrido abriu o coração no NaTelinha Talk desta quinta-feira (26). Em um papo leve, mas carregado de significado, o cantor falou pela primeira vez sobre o episódio que o colocou no centro das discussões nas redes sociais — e trouxe uma visão que mistura maturidade, serenidade e um profundo senso de representatividade.

A polêmica surgiu quando, durante sua participação no Altas Horas, Toni mudou espontaneamente um verso da música Girassol. No trecho em que originalmente se canta “já que para ser homem tem que ter a grandeza de um menino”, ele escolheu homenagear mulheres e cantar: “a grandeza de uma menina, de uma mulher”.

Um gesto simples, afetivo — mas que acabou dividindo opiniões na internet e reacendendo debates sobre gênero, arte e liberdade de expressão.

Com a calma e a firmeza que sempre marcaram sua trajetória, o vocalista do Cidade Negra contou que não se deixou atingir pelo barulho virtual:

“Quando aconteceu isso, eu não entrei ali. Eu sabia o que estava acontecendo, mas aquilo não tem nada a ver comigo. Meu ego não fica destruído porque existe um túnel onde algumas pessoas usam aquilo para despejar coisas. Está lá, mas eu não acesso”, afirmou.

Toni também falou sobre a ideia de “cancelamento”, algo que ele vê com naturalidade — mas sem se submeter:

“Você está cancelado? O que é isso? Eu respiro todo dia e nem sou dono da minha respiração. Ninguém é dono dela. Então ninguém é dono de mim.”

A mudança da letra: um gesto de afeto e reconhecimento

Para além da polêmica, Toni explicou que a mudança não foi um ato calculado, mas um reflexo do que acredita: a força e o papel essencial das mulheres na formação de qualquer ser humano.

“Todo grande homem tem a grandeza de um pai e de uma mãe. Tem uma grande mulher por trás ou ao lado, e a gente fala pouco sobre isso”, disse.

Seu gesto também abre espaço para uma discussão maior: a representatividade. Ao trocar uma palavra, Toni ilumina outras presenças — meninas, mulheres, mães, lideranças femininas — que muitas vezes passam despercebidas nas narrativas tradicionais.

E faz isso usando o que sempre foi sua ferramenta mais poderosa: a arte.

Liberdade artística como liberdade de existir

Toni reforçou que a arte não deve ser engessada — ela respira, sente, se move.

“Quem sou eu pra dizer como você deve cantar? A arte é livre. Se quiser mudar a letra, mude. A música é para ser sentida.”

Essa fala ecoa algo profundo: a arte como espaço onde vozes históricas — como as vozes negras e femininas — finalmente encontram lugar para brilhar, para serem vistas, lembradas e respeitadas.

No fim, uma polêmica que vira aprendizado

A reflexão de Toni mostra que, muitas vezes, o que chamam de “cancelamento” diz mais sobre a sociedade do que sobre o artista. E, ainda assim, ele transforma o episódio em oportunidade:

uma chance de lembrar que a arte existe para emocionar, provocar, abraçar e representar — não para agradar a todos.

Toni não apenas respondeu à polêmica. Ele ressignificou o debate e reforçou aquilo que sempre carregou em sua trajetória: a importância de existir com verdade, com afeto e com coragem.

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