Um salto contra o racismo

Redaçãonovembro 5, 20206 min
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“Não se trata de negros contra brancos. Somos todos contra o racismo”. A frase é de Ângelo Assumpção, atleta da ginástica olímpica, dono de inúmeras conquistas no esporte que o levou, inclusive, à Seleção Brasileira.

Oriundo de uma família humilde da Zona Leste de São Paulo, ele entrou no Pinheiros quando tinha apenas oito anos. Hoje, aos 24 anos, está desempregado. E afirma que sua situação é consequência do racismo. Desde 2015, quando foi campeão da prova de salto da etapa de São Paulo da Copa do Mundo de ginástica artística. Dias depois do título, Ângelo foi vítima de injúrias racistas por parte de Fellipe Arakawa, Henrique Flores e Arthur Nory. Tudo registrado em um vídeo que viralizou na web. Diante da repercussão do caso, um novo vídeo foi divulgado com o pedido de desculpas dos ginastas. Os responsáveis pelo vídeo foram punidos pela Confederação Brasileira de Ginástica com 30 dias de suspensão. Arthur Nory segue no Pinheiros. Na época, Ângelo e sua família decidiram não processar os envolvidos.

Depois desse episódio, vieram algumas lesões e a depressão. Em julho de 2019, o ginasta voltou a ouvir injúrias raciais por conta das tranças nos cabelos e pela bermuda preta de lycra que usava. Depois de ser campeão brasileiro, ele decidiu conversar com a diretoria do clube sobre o assunto. No dia 4 de outubro, Ângelo foi suspenso pelo Pinheiros por 30 dias. Entre as alegações do clube, relatadas num documento, o coordenador de ginástica artística dizia que decidiu suspender o atleta dos treinos porque ele “não respeitou a hierarquia da equipe ao levar uma ou várias reclamações para a gerência de esportes, e que o clima ficou insustentável” e disse ainda que “o ginasta causava distúrbios ao ambiente”.

Ângelo foi demitido em novembro de 2019. Segundo ele, foi acompanhado até a porta do clube “como um marginal”.

Nas redes sociais um grande movimento foi feito. Fora do ambiente virtual, nada. E ele segue em busca de oportunidades profissionais e revela detalhes na entrevista a seguir.

O debate da questão racial no esporte vem de longe. Nem mesmo Pelé, considerado o rei, passou imune e até hoje sofre consequências. Como foi sua formação para combater essas questões?

Sempre tive uma família muito envolvida com o movimento negro, desde pequeno temos essa afirmação dentro de nós. Mas quando a gente sai desse ambiente familiar, para a vida, mesmo com todas as afirmações, a gente não está preparado para esse mundão, porque o racismo vem de várias formas e para mim foi algo muito difícil lidar com toda a adversidade. E a construção disso tudo foi com o passar dos anos. Foi algo crucial para eu entender como tudo isso funciona. Existe uma naturalização do racismo nesse pais. Por muitas vezes a gente acaba não notando. Como eu tive um racismo explícito, para mim e toda a sociedade, ali eu vi que realmente eu precisava de alguma maneira me reerguer e saber como lidar com isso e me posicionar perante todos esses atos.

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