Revista Raça Brasil

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Você pode definir os parâmetros do seu sucesso

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Rachel Quintiliano

Editora do Portal Raça. Jornalista e escritora com quase 30 anos de experiência, tanto na comunicação corporativa quanto da imprensa, especialmente imprensa negra. Autora do livro ‘Negra percepção: sobre mim e nós na pandemia’. É responsável por planejar os conteúdos do portal, assegurando a linha editorial e estratégia narrativa do grupo RAÇA.

Eu sou uma mulher negra de bem comigo e isso me torna uma pessoa bem-sucedida. Entretanto, nem sempre foi assim, até porque vivo em uma sociedade capitalista, onde é mais comum pensar que o sucesso ou a ascensão são alcançados a partir de uma perspectiva de poder, prioritariamente, material.

Assim, o entendimento de ascensão fica extremamente ligado à capacidade individual de ascender materialmente. Por vezes, isso também passa pela capacidade de ocupar cargos de maior relevância e remuneração. Isso sem problematizar o contexto, a ideia de meritocracia ou como se vivessemos em um mundo livre de discriminação, machismo ou racismo.

Durante minha trajetória profissional, perdi as contas das vezes que passei por cima dos meus desejos para seguir em uma rota que pudesse me levar, paulatinamente, à ascensão e ao sucesso. Trabalhos com horas excessivas; vistas grossas para assédio; vontades de superiores atendidas sem excitação e um tanto de outras coisas que me submeti para “crescer”.

Entre 2004 e 2012 percorri esse caminho com uma carga pesada de concessões parecia ser o melhor a fazer, na esperança de ser reconhecida como pessoa promissora, em ascensão e posteriormente bem-sucedida.

Mas, a vida é muito louca mesmo e quando você menos espera te dá uma rasteira das boas. Esse movimento, no meu caso, convocou outras dimensões do ser humano que eu relegava e não permitia que subisse ao palco da minha vida. Naquele momento, as perspectivas, mental/ intelectual, espiritual e física começaram a reivindicar espaço. Isso começou a acontecer comigo em 2012, quando decidi pedir demissão de um emprego ótimo, voltar para minha cidade, para minha casa, consolidar uma relação amorosa (que naquele momento achava que poderia dar certo) e trabalhar em um emprego similar, recebendo metade do salário do anterior.

Foi de fato um encontro comigo mesma e o início de uma busca cotidiana por equilíbrio entre todas essas forças. Nesse processo teve casamento, divórcio, novos empregos, melhores e piores salários, buscas espirituais e psicológicas e só agora, quase 10 anos depois, comecei, de fato, a trabalhar o aspecto do bem-estar físico e da saúde integral.

A necessidade de lidar com essa última dimensão não aconteceu por acaso. Uma pandemia atravessou o mundo e, em alguma medida a minha própria vida, o que me levou a conclusão ou a decisão de que enquanto estiver por aqui, nesse mundo, preciso ter saúde para gozar à vida e aproveitar cada minuto que posso de mim mesma e das pessoas que quero bem e admiro a companhia.

No ano passado, em 2022, percebi que ao menos para mim, o intelecto, o espiritual, o material e o físico se retroalimentam e se equilibram. Nunca comi e bebi tão bem; nunca exercitei tanto minha capacidade intelectual; nunca tive tanta consciência da minha psique; nunca cuidei tanto do meu corpo e nunca tive uma estabilidade financeira e um trabalho tão confortável como agora. É possível que eu já tenha tido tudo isso antes, mas não fui capaz de perceber. Não como agora.

Obviamente que em alguns momentos a balança pende mais para um lado ou outro, mas observar esse movimento com parcimônia, talvez seja o melhor voto de ano novo que eu possa fazer e também compartilhar e desejar para outras pessoas.

Não é romantismo. Está tudo bem se você, assim como eu, acorda pistola, chora no banheiro, rasga os boletos que não pode pagar, vive o banzo, mas também se sente feliz, amorosa e satisfeita.

Acho que o mais relevante é pensar sobre que degraus você deseja subir neste ano de 2023? Onde e em quais condições você almeja se enxergar como uma pessoa bem-sucedida, porque ascender e alcançar o sucesso é uma experiência humana cujos parâmetros e dimensões, na minha opinião, deveriam ser auto atribuídos.

Rachel Quintiliano é jornalista, pós-graduada em comunicação e saúde, produtora de conteúdo, defensora dos direitos humanos e promotora da equidade de gênero e raça. Escreve sobre beleza, identidade, autoestima, livros e filmes. É também idealizadora do Mundo da Rua Podcast.

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