Wilson Simonal, Rei do Swing, completaria hoje 87 anos
Um dos maiores nomes da música popular brasileira, Wilson Simonal, se estivesse vivo, completaria 87 anos neste domingo (23/02)
O cantor, que morreu precocemente em decorrência de uma cirrose hepática, deixou um legado inegável para a cultura nacional. Apesar do ostracismo que enfrentou no fim da carreira e do episódio envolvendo seu ex-contador, que o levou a prisão, crescendo assim a ideia de que seria um colaborador da ditadura, sua contribuição para a música brasileira e para o universo artístico segue inquestionável.
Segundo o site da Fundação Cultural Palmares, “[…] Em 2002, a pedido da família, a Comissão de Direitos Humanos da OAB abriu um processo para apurar a veracidade de tais colaborações do cantor com estes órgãos de informações do regime militar. Após longa busca através de artistas, personalidades e um documento assinado pelo secretário nacional de Direitos Humanos José Gregori, nada constava ligando Simonal a DOPS, SNI, CIEx ou outro órgão de inteligência, sendo então, em 2003, Wilson Simonal moralmente reabilitado pela Comissão de Direitos Humanos da OAB em julgamento simbólico. Era a reparação honrosa do Ostracismo e Cancelamento sofridos por este magistral cantor negro brasileiro”.
Até hoje, a indústria cultural impõe barreiras racistas que dificultam o reconhecimento e a ascensão de artistas negros, contexto que Simonal desafiou com seu talento.
Durante anos, Wilson Simonal disputou e manteve o posto de “namoradinho do Brasil”. Foi o primeiro artista a assinar um grande contrato publicitário, comandou programas de televisão e conquistou os títulos de “Rei da Pilantragem” e “Rei do Swing”. Ao longo de quatro décadas de carreira, gravou mais de 30 álbuns e consolidou seu nome na história da música.
No auge da fama, nos anos 1960, Simonal fez uma forte denúncia contra o racismo ao lançar a música Tributo a Martin Luther King, em parceria com Ronaldo Bôscoli.
Na primeira vez que a interpretou, declarou: “Eu dediquei ao meu filho, esperando que, no futuro, ele nunca encontre aqueles problemas que eu encontrei e que às vezes ainda encontro, apesar de me chamar Wilson Simonal de Castro.”
Sim, sou negro de cor
Trecho da letra da música “Tributo a Martin Luther King”.
Meu irmão de minha cor
O que te peço é luta, sim, luta mais
Que a luta está no fim
Cada negro que for, Mais um negro virá
Para lutar com sangue ou não
Com uma canção também se luta, irmão
Ouvir minha voz, oh, yes, lutar por nós