Saiba mais sobre a história da cantora Loalwa, ex-vocalista da banda de lambada Kaoma

 

TEXTO: Fernanda Alcântara | FOTO: Divulgação | Adaptação web: David Pereira

A cantora Loalwa Braz | FOTO: Divulgação

A cantora Loalwa Braz | FOTO: Divulgação

Ex-vocalista do Kaoma, grupo no qual se consagrou cantando lambada, Loalwa mantém sua voz peculiar e marcante, tendo passado por muitos países até sua volta aos palcos brasileiros. Segundo ela, sua música já percorreu mais de 116 países, que conheceram o “ritmo proibido” que ficou mundialmente conhecido como lambada. A carreira musical de Loalwa pode ser considerada prematura, afinal, com apenas quatro anos começou a ter aulas de piano, influenciada pela mãe, na época professora de piano clássico. Com o contato, construiu uma base na música clássica. “Sempre adorei Barbara Streisand. A música clássica da mamãe virou ‘nossa’ música”. Do pai, Loalwa herdou o estilo popular e a paixão por cantar. “Minhas brincadeiras tinham muita cantoria e letras inventadas por mim. Comecei a compor aos dez anos de idade, quando decidi ser intérprete das minhas músicas. Comecei também a ser convidada por outros compositores colegiais para ‘defender’ suas obras em festivais de escolas do meu bairro, em Jacarepaguá”, conta.

E desde que ganhou um festival escolar por sua composição e interpretação, ela não parou mais. Aos doze anos, Loalwa passou a se apresentar em bailes e clubes. A menina tímida de Jacarepaguá mal podia imaginar que, anos depois, aquele pequeno público se transformaria em multidões por todo o mundo. “A primeira vez que apareci na TV foi aos 15 anos, no programa do Flavio Cavalcanti. Fui convidada por ter sido a melhor intérprete de um festival estudantil e lembro que cantei com a magnífica orquestra do maestro Cipó, com a qual trabalhei profissionalmente muitos anos depois”, lembra Loalwa. Mais do que qualquer outro ritmo, o samba está na vida de Loalwa desde o início de sua carreira, ainda na adolescência. Aos 20, foi apresentada ao sambista Pedro Caetano, que elogiou seus sambas, o que a cantora considera um marco na carreira. Neste mesmo espaço onde se apresentava, o Café Nice, Loalwa recebeu, em 1985, um convite para cantar no exterior. Dinorah, do grupo As Gatas, a convidou para participar do show Brésil en fête, na França. A cantora se apaixonou por Paris e resolveu morar por lá, onde também fazia pequenas apresentações de jazz.

Mesmo com uma carreira promissora na música clássica e no jazz, foi nos anos 1990 que Loalwa Braz despontou como uma das maiores vozes de seu tempo, com um ritmo considerado exótico: a lambada. Chorando se foi surgiu quando a cantora mineira Márcia Ferreira fez uma releitura da música Llorando se fue, dos irmãos bolivianos Ulisses e Gonzalo Hermosa. O ano era 1986, quando dois produtores franceses conheceram a lambada, em Porto Seguro, e investiram na dança que, tempos depois, viraria um fenômeno mundial. Foi criado o grupo Kaoma, especialmente para cantar a lambada. Adicionaram algumas frases à versão de Márcia, e assim surgia uma das canções mais famosas do mundo. Para se ter uma ideia da durabilidade da fama de Chorando se foi, basta ligar o rádio e reconhecer as contínuas regravações e adaptações. A mais recente é a da cantora Jennifer Lopez (em On the floor ela traz referência à música em diversos trechos) e do rapper porto-riquenho Dom Omar, com Taboo. E mesmo com tantas versões, Loalwa continua sendo a voz oficial da lambada.

 

Quer ver esta e outras matérias da revista? Compre esta edição número 175.

Comentários

Comentários