Conheça a história da casa de samba de Osvaldão

 

Texto: Oswaldo Faustino | Foto: Divulgação

A Casa de samba de Osvaldão | Foto: Divulgação

A Casa de samba de Osvaldão | Foto: Divulgação

O que para muitos moradores da região era motivo de indignação, se tornou um ato de reconhecimento de que algo estava mudando com relação à comunidade negra paulistana. O assunto era o sucesso do Botekão, bar criado em 1978 pelo mineiro Osvaldo Martins da Cruz,o Osvaldão, com seus eternos parceiros boleiros.

Os mais jovens podem não ter ideia do que representou aquela casa de samba, no número 2.777 da rua Vinícius de Moraes (o mesmo que chamou São Paulo de “túmulo do samba”),naquele triângulo que une a rua da Consolação com as avenidas Paulista, Rebouças e Dr. Arnaldo, em São Paulo. Seus vizinhos torciam o nariz diante de tantos negros e negras sambando em uma casa tão cheia, que deixava uma “multidão” bebendo e dançando na rua. Mas ele pagava um aluguel muito acima do valor de mercado, naquela área, e o locador não tinha como recusar.

Osvaldão fez história. Nascido em Ouro Preto, foi mineiramente cativando um sem-número de jovens negros, mestiços e brancos, entre eles, jogadores de futebol, como Leivinha, que se tornou seu sócio em outro bar, o Balancê. Em torno de seu cavaquinho,foram se reunindo vários músicos de primeira, que, cada vez mais atraíam mais e mais público para as duas casas.

Hoje já não resta mais a mágoa que senti numa noite em que estava batucando na mesa e tomei uma tremenda bronca do dono da casa: “Ô meu, canta, bate palma, mas não precisa quebrar a mesa também.”O falecimento de Osvaldão, aos 76 anos, em janeiro último, nos alerta sobre os cuidados extremos que temos de tomar com relação a diabetes. Seus últimos anos foram de muito sofrimento, somados à dor da viuvez, em 2001.

As filhas Vanessa, fisioterapeuta, bastante comprometida com as questões da saúde da população negra, e Viviane, assistente social, têm muito orgulho de seu pai. E também de vê-lo se fazer “pai” de toda uma geração de jovens músicos que ajudaram o samba e seus artífices a conquistar espaços até então jamais imaginados.

 

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