O livro Amargos Como os Frutos transformou o poema em arma ideológica

 

Texto: Denise Pires | Foto: Divulgação

Amargos Como os Frutos | Foto: Divulgação

Amargos Como os Frutos | Foto: Divulgação

Durante os tempos das lutas pela libertação de Angola, uma signi­ficativa parcela dos poemas produzidos transformou-se em arma ideológica de combate ao colonialismo. A partir da independência, ao lado da literatura de exaltação nacional, marcada pelo discurso panfletário e anticolonialista, começaram a surgir novas vertentes poéticas que, sem negar a importância de um compromisso com as realidades nacionais, buscam em si outros ingredientes.

Paula Tavares é uma dessas escritoras que cede sua voz para expressar,com rebeldia e ternura, o clamor amargo das mulheres encarceradas em seu próprio silêncio. Além dos efeitos das muitas décadas de guerras em Angola, as mulheres sofreram também no próprio corpo a opressão do machismo, natural depois de tanto tempo enraizado na cultura local. A antologia poética Amargos como os frutos (Pallas Editora) é a representação da voz feminina africana na sua individualidade, na sua feminilidade, na sua corporalidade. Palavras essenciais, intimistas e plurais, locais e universais, numa linguagem que registra e mistura crueldades e delicadezas.

 

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