Claudia Boutros afirmou que empresário libanês de São Paulo custeará voo de ida e volta a Beirute. Após 7 anos, Justiça devolveu guarda de Gabriella à mãe, que pede ajuda para passagem da menina.

A brasileira Claudia Dias de Carvalho Boutros declarou nesta segunda-feira (6) que um empresário libanês de São Paulo se ofereceu para pagar a passagem dela para ir ao Líbano resgatar sua filha, sequestrada pelo ex-marido e pai da menina em 2010. A expectativa é que ela viaje em dezembro. O doador não quis se identificar.

Gabriella Carvalho Boutros tinha 5 anos quando foi levada pelo também libanês Pedro Boutros de São Paulo ao Líbano. Atualmente, a garota mora com ele em Trípoli, onde aprendeu árabe e quase não fala português.

“Graças a vocês um senhor se sensibilizou com a história e decidiu ajudar”, disse Claudia, de 39 anos, ao G1. A reportagem revelou no último sábado (4) que, após sete anos, a Justiça libanesa decidiu devolver à mãe a guarda de Gabriella (veja vídeo abaixo).

Em 2012, a Justiça brasileira já havia concedido a guarda definitiva de Gabriella a Claudia por entender que a garota foi subtraída pelo pai, segundo seus advogados. Mas somente em 13 de outubro deste ano que a Corte de Trípoli reconheceu esse direito e decidiu tirar de Pedro a guarda da filha e devolvê-la à sua mãe.

“O juiz presidente do 'escritório executivo de Tripoli' decidiu pela execução da sentença favorável à senhora Boutros, relativa à guarda da menor Gabriella Carvalho Boutros”, informa trecho do documento da Embaixada Brasileira no Líbano encaminhada ao Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores no Brasil.

Sem dinheiro

A única condição para a entrega da criança é a de que Claudia viaje ao Líbano para recebê-la pessoalmente na Justiça de Trípoli. Estudante de administração, a mãe de Gabriella alegou que não tem dinheiro para custear as passagens aéreas.

“São R$ 8 mil ida e volta”, disse Claudia, que pretende embarcar entre o final deste mês e o início de dezembro para o Líbano. “Depois, só precisarei ver como ficará a questão da passagem de minha filha para o Brasil, quem poderia ajudar a comprá-las.”

De acordo com o advogado de Claudia, José Beraldo, a expectativa é a de que sua cliente saia do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em 2 de dezembro deste ano. “Ela chegaria ao Líbano três dias depois”, falou Beraldo.

Claudia deverá viajar sozinha, ficando hospedada na casa de brasileiros que moram em Beirute. Depois, teria o apoio do advogado libanês Pierre Baaklini, que defende os interesses da brasileira no Líbano.

Procurado para se pronunciar sobre o trâmite da repatriação de Gabriella, o Itamaraty respondeu, por meio de nota, que acompanha o caso e presta assistência a Claudia e seus advogados.

Sequestro

Separado de Claudia, Pedro podia ficar com Gabriella quinzenalmente, aos finais de semana. Em 12 de março de 2010, ele pegou a menina, mas não a devolveu à mãe, que achou que havia acontecido algum acidente de trânsito com os dois e pediu para a polícia investigar o sumiço.

Em vez disso, o homem foi de carro com a filha até Foz do Iguaçu, no Paraná, entrou no Paraguai e pegou um avião até a Argentina. De lá, os dois seguiram em um voo até a França, onde embarcaram em outra aeronave até Beirute, capital libanesa.

Acionada, a Interpol (polícia internacional) descobriu para onde Gabriela foi levada e colocou as fotos do pai e da menina no site de procurados pela Parental Child Abduction (algo como sequestro de filho por um dos pais, numa tradução livre do inglês para o português).

Se sair do Líbano, Pedro, atualmente com 49 anos, terá de ser preso para responder no Brasil pelo crime de ter levado Gabriella sem autorização da mãe. A menina, por sua vez, teria de ser repatriada.

Mas essa medida da Interpol não vale enquanto pai e filha estiverem em território libanês. Como o país não é signatário da Convenção de Haia sobre sequestro internacional de crianças, Claudia teve de pedir à Corte de Trípoli a devolução da guarda da filha.

Felicidade

Nesse período, a mãe conseguiu ver Gabriella por três vezes, duas delas autorizadas por Pedro sob a supervisão de uma pessoa da confiança dele. Em outra, sem o conhecimento do pai da menina, Claudia invadiu a escola católica onde a menina estuda e convenceu a madre a deixá-la dar um abraço.

“Minha história é um drama que virou um pesadelo, que hoje eu acredito que vá se tornar um fato verídico de felicidade”, disse a mãe, que acrescentou ter certeza de que Gabriella quer voltar a morar com ela em São Paulo.

No Brasil, Claudia aguarda da decisão da Justiça brasileira sobre o pedido de R$ 2 milhões de indenização: metade contra o Estado (por deixar a criança sair do país sem passaporte) e o restante contra o ex-marido.

O G1 não conseguiu localizar o advogado de Pedro para comentar o assunto. Segundo os advogados de Claudia, o ex-marido dela terá de cumprir a decisão judicial libanesa de entregar a menina à mãe ou poderá ser detido, mesmo no país dele.

Fonte: G1

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