São várias as repercussões sobre o maior atentado da história recente dos EUA, mas uma das histórias que você provavelmente não conhece é do herói Jonathan Smith, um homem negro de 30 anos, que arriscou sua vida para salvar dezenas de pessoas durante o tiroteio em Las Vegas.

Era um final de semana de comemoração para a família de Jonathan,  é reparador de máquinas copiadoras e estava comemorando com a família o aniversário de seu irmão na cidade de Orange County, Califórnia.  Toda a família estava perto do palco no Festival de Música Country Harvest 91 quando Stephen Paddock, de 64 anos, começou a atirar na multidão.

Inicialmente Smith pensou que os disparos eram fogos de artifício, mas quando viu a banda sair do palco, conduziu a família e as pessoas no caminho que  começavam a se esconder e entrar em pânico. "Eu corri para o tiroteio e havia uma senhora que estava no chão", disse a um programa de TV norte-americana. "Eu basicamente a ajudei e disse pra ela apenas para correr. Eu simplesmente disse-lhe: ‘Nós temos que ir’".

Ele começou a guiar as pessoas entre uma fila carros, que se agacharam para se esconder seguindo os passos de Jonathan. Ao tentar ajudar algumas meninas que não estavam completamente escondidas, Jonathan foi baleado no pescoço. Ele teve uma clavícula fraturada, uma costela quebrada e um pulmão ferido. A bala permanece no pescoço por enquanto para evitar mais danos. "Eu talvez eu tenha que viver com essa bala pelo resto da minha vida", disse ele.

Mas Jonathan não tem cor de herói para a imprensa brasileira. Enquanto o terrorista que fez os disparos é chamado poeticamente de “atirador solitário” por ser norte-americano branco, Jonathan terá salvo vidas sem ter o reconhecimento devido. Se dois ou três veículos não fizessem entrevistas com ele nos EUA (dadas as repercussões da história nas redes sociais), talvez ninguém conhecesse Jonathan.

Não que nosso heróis acredite que mereça muito mais. "Eu não me considero um herói. Eu simplesmente me considero alguém que está tentando fazer o que é certo", disse ao ser entrevistado. O “certo”, para ele, é salvar a vida de qualquer pessoa, independente da cor. Enquanto isso, no Brasil, um programa sensacionalista confunde “bandido” com “resgate” apenas pela etnia – adivinhe qual a cor eles consideram de bandido.

Fazer a coisa certa, assim como Jonathan, está cada vez mais difícil neste mundo aonde somos subjugados, marginalizados e racializados. Mas ainda há esperança, como mostra a irmã da namorada de Jonathan, Tiffany Jones, que criou uma conta do GoFundMe para cobrir suas despesas até que ele possa se recuperar e voltar ao trabalho. Em apenas um dia, o fundo superou seu objetivo de arrecadar 7 mil dólares.

No Brasil, teriam dito que não fez mais que a obrigação. Eu chamo isso de herói de verdade.

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