top angolaRIO — Como toda modelo, a luso-angolana Sharam Diniz, nossa garota da capa, entra muda e sai calada das passarelas. Uma pena. Sharam fala muito — e bem. Não tem freio, no bom sentido. Não foge de temas controversos e não faz média. Diz sem rodeios que não gosta de passarela e que a mãe, uma ex-comissária de bordo, vem cobrando incansavelmente um diploma.

— Um diploma é um diploma — concorda ela, que até chegou a cursar dois anos de Gestão e Produção de Eventos, em Londres, mas deu adeus à universidade para se dedicar integralmente à carreira de manequim.

Aos 26 anos, Sharam é um nome quente na indústria da moda. Protagonizou campanhas de perfume para Tom Ford e de relógio para a Chanel; participou do desfile anual da Victoria’s Secret (“Fui, aliás, a primeira angolana e portuguesa a conseguir este feito. Depois vieram Sara Sampaio e Maria Borges”, avisa); e desfilou para grifes como Balmain, Carolina Herrera, Prabal Gurung e Vivienne Westwood.

— Mas odeio desfiles. Os estilistas não nos dão a oportunidade de sermos nós mesmas, de sermos abusadas. E outra: os castings em semanas de moda são julgamentos diários. Costumava ficar até meio deprimida. Sempre tinha uma menina mais alta, mais magra. Mas eu tenho peito e bunda. Não sou esquelética e não vou passar fome. Amo carne e nunca fui fã de salada, porém tento comer — comenta.

Descoberta em 2008 em sua cidade natal, Luanda, Sharam, neta de um português (daí sua dupla nacionalidade), conta que o início não foi fácil. Primeiro, sofreu resistência em casa:

— Esse assunto era um tabu para os meus pais. Eles achavam que moda estava relacionada a drogas e prostituição. Depois, os clientes não acreditavam em meu potencial. Falavam que eu nunca seria uma modelo high fashion, que não conseguiria fazer um desfile importante. Provei que eu era capaz, sim! Estrelei até capa para a “Vogue” Portugal.

Nesta edição do ELA, Sharam mostra novamente sua força. Vestindo o folk da estação (franjas, babados, botas), ela fez caras e bocas num estúdio em São Paulo:

— O Rio sempre foi o meu lugar favorito no mundo, onde posso andar de Havaianas o dia inteiro, tomar sol e nadar. Mas ando dividida. Conheci pessoas tão legais na capital paulista. É um local tão agitado. A energia é diferente. Estive, por exemplo, no baile beneficente da amfAR (que visa a angariar fundos para a pesquisa e luta contra a Aids) em São Paulo, em abril, e já estive no de Cannes. São climas completamente opostos. No Brasil, é mais real. Ninguém vai só para posar para as fotos. Lembro que dancei com a Juliana Paes à beça ao som de Anitta. Foi uma noite incrível.

Morando em Nova York desde 2012, a modelo começa a planejar seus próximos passos. A ideia é ficar na indústria por mais cinco anos. Ela, fã de Taís Araújo, não esconde que seu objetivo maior é Hollywood — e as novelas da TV Globo.

— Quero ser atriz. Vejo folhetins desde pequena. No verão europeu do ano passado, atuei em “A única mulher”, uma trama portuguesa. Mas não posso focar só nisso nesse momento. Meus rendimentos vêm da moda. Também quero retornar à faculdade para estudar Administração. Tenho uma marca de apliques e perucas, a Sharam Hair, e preciso ter noções básicas para cuidar do meu negócio e ninguém me passar a perna.

Comentários

Comentários