Saiba mais sobre o Cape Town International Jazz Festival e confira os destaques da edição deste ano

 

TEXTO e FOTOS: Eduardo Vessoni | Adaptação web: David Pereira

Jimmy Dludlu, durante apresentação na 15ª edição do Cape Town International Jazz Festival | FOTO: Eduardo Vessoni

Jimmy Dludlu, durante apresentação na 15ª edição do Cape Town International Jazz Festival | FOTO: Eduardo Vessoni

A nação negra que se orgulha de sua história ancestral, contada em 11 línguas oficiais, não se apega apenas à vida pessoal e política de Nelson Mandela, morto em dezembro de 2013. A música, outro legado cultural único na África, embala os eventos em homenagem a Madiba. Realizado em março, na Cidade do Cabo, o Cape Town International Jazz Festival reuniu artistas sul-africanos e internacionais em shows de jazz, rap, soul, blues, indie rock e outros ritmos. O festival é tão variado quanto a sociedade de línguas e culturas que se encontram sobre o mesmo território.

Considerado o maior festival de música da África subsaariana, o evento contou com bandas dos subúrbios de Joanesburgo, o som eletrizante do senegalês Moh Dediouf e os acordes de guitarra do popular Jimmy Dludlu, só para citar alguns dos nomes negros que se apresentaram nos dois dias de evento.

A primeira noite foi aberta pelo trio The Soil, do Soweto. A banda mistura música do subúrbio com estilos como hip hop, jazz e afro-pop. Definido pelo próprio grupo como kasi soul, o som do The Soil é entoado em idiomas como xhosa, zulu, sotho e inglês, e tem como principal influência o grupo vocal masculino sul-africano Ladysmith Black Mambazo. As vozes de Buhlebendalo Mda, Luphindo Ngxanga e Ntsika Fana Ngxanga, além de um quarto elemento espiritual que eles chamam de Moh Dediouf, durante apresentação na Criador de Tudo, são acompanhadas pelo beatbox humano que toca instrumentos imaginários como na popular canção “Joy”, uma ode à alegria e à família.

The Soil, durante apresentação na 15ª edição do Cape Town International Jazz Festival | FOTO: Eduardo Vessoni

The Soil, durante apresentação na 15ª edição do Cape Town International Jazz Festival | FOTO: Eduardo Vessoni

No mesmo palco, no segundo dia, o senegalês Moh Dediouf levou as referências africanas de sua música eletrizada, acompanhadas de influências de Marvin Gaye e James Brown. Entre solos intimistas de saxofones solitários e repertório musical que nem sempre lembrava os sons ancestrais da África, Dediouf rompeu paradigmas com um show que não esqueceu as origens do público majoritariamente negro. Seu repertório tem canções em inglês, francês e wolof, a língua da África Ocidental, onde se localiza seu país de origem.

O destaque da última noite foi a apresentação do “Shape of Strings to come”, coletivo sul-africano liderado pelo guitarrista moçambicano Jimmy Dludlu. Autodidata, arranjador e cantor, Dludlu já trabalhou com nomes africanos famosos fora do continente, como Miriam Makeba, Angélique Kidjo e Salif Keita, e ficou conhecido mundialmente pelo jazz africano e a fusion music.

O festival surpreendeu também com shows como o da banda australiana Hiatus Kaiyote, conhecida pelo seu som indie rock e pela voz sussurrada da vocalista Nai Palm. Entre a música negra e o jazz tradicional, o festival provou que o apartheid é agora um capítulo a ser relembrado apenas em livros de história.

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