Leia a segunda parte da coluna de Oswaldo Faustino sobre o babalorixá Euclides Talabyan que realizou o sonho de conhecer suas origens africanas

 

TEXTO: Oswaldo Faustino | FOTO: Renata Amaral | Adaptação web: David Pereira 

Cazumba | FOTO: Renata Amaral

Cazumba | FOTO: Renata Amaral

Confira a primeira parte da matéria aqui.

Numa das apresentações do grupo A Barca, no Maranhão,a paulistana Renata Amaral, formada em Composição e Regência pela UNESP, conheceu Pai Euclides. Ela era a contrabaixista desse grupo musical e também realizava registros audiovisuais para enriquecer ainda mais seu acervo de mais de 1.200 horas de sons e imagens. Ali, porém, a pesquisadora acabou se iniciando no culto da casa. Renata conta: “Acompanhei a troca de correspondências do babalorixá com sacerdotes do Benin e testemunhei seu anseio de ir em busca de suas origens. O tempo passava e esse sonho parecia cada vez mais distante”.

Daí a ideia de desenvolver o projeto “Pedra da Memória” e levá-lo, juntamente com sua yakekeré Isabel Onsemawyi, ao Continente-Mãe, onde foi registrado seu encontro com as raízes de sua fé e com os Agudás, descendentes de ex-escravizados brasileiros, retornados à África após a abolição. Esse projeto integra um documentário dirigido por ela, um livro de capa dura com 240 páginas – trazendo imagens brasileiras e africanas, textos da autora e de Pai Euclides, prefácio de Walter Garcia e Brice Sogbossi, e desenhos de Carybé – além de uma exposição com cerca de 80 painéis fotográficos.

Pai Euclides e Mãe Isabel visitaram, em 2010, cidades como Cotonou, Abomey, Ketou, Porto Novo, Ouidah, Allada, Pobe e Sakete. Participaram de cerimônias vodun, assistiram Zangbeto, Egungun, geledés, fanfarres e outras tradições Agudás. Esses registros em diálogo com manifestações nordestinas brasileiras estão no documentário de 53 minutos. O filme e parte das fotografias podem ser vistas através do site http://maraca.art.br/pedradamemoria.

Por sua formação, a musicóloga, que também se apresenta com o grupo Ponto br, com o músico Tião Carvalho, do Morro do querosene, e com a Orquestra Popular do Recife, entre outros, produziu um documentário onde a música conduz o roteiro e vai revelando as semelhanças e pontos de encontro entre as manifestações culturais e também ritualísticas de cá e de lá. Já foi visto em Salvador, em São Paulo e em São Luís. A AfroeducAçãO o apresentou para professores, no Cine Itaú, na capital paulista. A musicalidade e os movimentos das danças nos levam a entender perfeitamente quem somos: africanos nascidos no Brasil.

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