Leia a segunda parte da reportagem sobre o roteiro turístico inspirado na vida de Nelson Mandela

 

TEXTO e FOTOS: Eduardo Vessoni | Adaptação web: David Pereira

Vilakazi Street, no Soweto | FOTO: Eduardo Vessoni

Vilakazi Street, no Soweto | FOTO: Eduardo Vessoni

Veja aqui a primeira parte da reportagem.

Menos turística, a região do Cabo Ocidental (Western Cape, em inglês) relembra o seu passado também em locais como a Pollsmoor Prison, penitenciária de segurança máxima, situada a 25 minutos da Cidade do Cabo, para onde Mandela e outros líderes políticos da época foram enviados, em 1982; e a Victor Verster Prison, em Paarl, local onde Mandela passou seus últimos 14 meses de prisão.

No entanto, a história política de Mandela tem início em Joanesburgo, a principal cidade da África do Sul e uma das mais importantes portas de entrada para o continente africano. A província de Gauteng, onde Madiba atuou como advogado de direitos humanos, abriga a clássica casa do distrito de Orlando, o Soweto, que serviu de residência para Mandela e duas de suas esposas, Evelyn Ntoko Mase e, mais tarde, Winnie Mandela.

Localizada na Vilakazi Street, a construção foi transformada em um museu e guarda alguns móveis da época, objetos pessoais, documentos e fotos. Por conta da clandestinidade forçada por perseguições policiais, Mandela permaneceu a maior parte do tempo fora daquela casa humilde de tijolos alaranjados.

O Soweto ganhou o mundo com as imagens chocantes de um evento que ficou conhecido como Levante do Soweto, um confronto violento entre a polícia repressora e os manifestantes negros que protestavam contra a imposição do aprendizado do africâner, língua de origem germânica falada pelos colonizadores brancos de origem holandesa. O episódio, que matou mais de 500 pessoas de um total de 10 mil manifestantes, é relembrado no Hector Pieterson Memorial, museu dedicado a Hector Pieterson, primeiro negro a ser assassinado no local.

Interior da casa do Mandela, no Soweto | FOTO: Eduardo Vessoni

Interior da casa do Mandela, no Soweto | FOTO: Eduardo Vessoni

A imagem do corpo de Hector sendo carregado por um colega é, infelizmente, uma das imagens sul-africanas mais populares em todo o mundo. Joanesburgo abriga também o Apartheid Museum. O espaço é considerado pioneiro em seu gênero e possui um acervo que reconta as diferentes etapas do sistema de separação criado por Hendrik Frensch Verwoerd, holandês que ficaria conhecido como “arquiteto do apartheid”. Dividido em 22 exposições, esse museu multimídia abriga salas temáticas como a Race Classification, que relembra a classificação das pessoas por cores de pele (“nativos”, “de cor”, “asiáticos” e “brancos”); “Segregation”, uma sala que explica que as origens do Apartheid começaram bem antes de 1948; e “ e Miracleand Beyond” que relembra a histórica eleição de 1994, em que o partido ANC (sigla em inglês para Congresso Nacional Africano) colocava no poder o primeiro presidente sul-africano eleito de forma democrática.

A rota temática em homenagem a Mandela segue também pelo Constitution Hill, forte de 1892 que isolou personagens conhecidos por sua luta contra o apartheid, como o próprio Mandela e o indiano Mahatma Gandhi. Sede atual da Corte Constitucional da África do Sul, o complexo recebeu prisioneiros durante a Guerra dos Bôeres, no final do século 19, e manifestantes presos do Soweto. Foi declarado Monumento Nacional.

O subúrbio de Rivonia, próximo a Joanesburgo, guarda outro endereço lembrado pelo roteiro turístico. A Fazenda Liliesleaf (“Liliesleaf Farm”, em inglês) foi o esconderijo de líderes que lutavam contra o apartheid. O Lugar da Captura (“ e Capture Site”, em inglês), como é conhecido o trecho da estrada R103 para Joanesburgo, local onde Madiba foi preso em 1962, dando início aos 27 anos de prisão, é outro ponto da rota. No mesmo ponto, hoje há um memorial e uma escultura de 9,5 metros de altura com o rosto de Mandela.

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