80 tiros: 8 policiais são condenados por homicídio

Tenente envolvido no caso foi condenado a 31 anos de prisão e outros sete militares devem cumprir 28 anos

O caso Evaldo chocou o Brasil, em 2019, quando o veículo em que o músico estava com a família foi atingido por mais de 80 disparos feitos por militares durante uma ação em Guadalupe, zona oeste do Rio de Janeiro. Na ação que matou Evaldo Rosa dos Santos (46), o catador de recicláveis Luciano Macedo também foi atingido pelos tiros e morreu. Dois anos e meio depois do crime, a Justiça Militar deu a sentença a oito policiais envolvidos na ação do Exército.

O conselho responsável por julgar o caso era formado por uma juíza federal e quatro juízes militares selecionados a partir de sorteio. Por três votos contra dois, ficou determinado que sete dos acusados vão cumprir 28 anos de prisão pelo homicídio qualificado de Santos e Macedo, e também pela tentativa de homicídio do sogro de Evaldo Rosa Santos, que ficou ferido durante a ação.

O tenente Ítalo da Silva Nunes recebeu pena de 31 anos e seis meses, a sentença foi maior porque ele era o oficial responsável pelo grupo e por ter sido o primeiro a atirar antes de certificar que a tropa estava sofrendo alguma ameaça, Nunes também é responsável pelo maior número de disparos feitos.

Ao todo, 12 militares que participaram da ação haviam sido denunciados, mas por falta de provas, não ficou provado que os outros quatro militares efetuaram disparos ou omitiram socorro, o Ministério Público Militar pediu a absolvição deles, o que foi aceito pela justiça.

O julgamento começou às 9h da última quarta-feira (13) e se estendeu até o início da madrugada de hoje (14). Realizado na Ilha do Governador, zona norte do Rio, o julgamento foi acompanhado pela viúva de Evaldo, Luciana Nogueira, que passou mal quando os militares entraram na sessão.

As partes ainda podem recorrer da decisão no Superior Tribunal Militar.

Relembre o caso

O veículo foi atingido por mais de 80 disparos, segundo a perícia. Cinco pessoas estavam no carro e iam para um chá de bebê: pai, mãe, uma criança de 7 anos, o sogro e uma mulher.

Evaldo morreu na hora. O sogro dele, Sérgio, foi baleado e hospitalizado. A esposa, o filho de 7 anos e uma amiga não se feriram. Um pedestre que passava no local também ficou ferido ao tentar ajudar.

“Foram diversos, diversos disparos de arma de fogo efetuados e tudo indica que os militares realmente confundiram o veículo com um veículo de bandidos. Mas neste veículo estava uma família. Não foi encontrada nenhuma arma (no carro). Tudo que foi apurado era que realmente era uma família normal, de bem, que acabou sendo vítima dos militares”, afirmou o delegado em entrevista à TV Globo.

Inicialmente, o Comando Militar do Leste (CML) negou que tenha atirado contra uma família e disse que respondeu a uma “injusta agressão” de “assaltantes”. À noite, em outra nota, informou que o caso estava sendo investigado pela Polícia Judiciária Militar com a supervisão do Ministério Público Militar.

Os militares foram ouvidos pelo próprio Exército, que entendeu que a investigação deveria ser militar. No entanto, a Polícia Civil vê indícios para uma prisão em flagrante. “Fica muito difícil tomar uma decisão diferente desta [prender], não vejo uma legítima defesa pela quantidade de tiros que foi. Os indícios apontam para uma prisão em flagrante”, afirmou o delegado.

Uma testemunha que estava no carro contou que não houve nenhuma sinalização antes dos disparos. “Eu não vi onde foi o tiro, mas eu acho que foi nas costas. só que a gente pensou que ele tinha desmaiado no volante (…) A gente saiu do carro, eu corri com a criança e ela também. A gente saiu do carro e mesmo assim eles continuaram atirando “, afirmou a mulher à TV Globo.

Informações: Folha de S. Paulo/Correio

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