Conheça a história de vida da artista popular Nega Duda

 

TEXTO: Maitê Freitas | FOTO: Fernando Oliveira e Alexandre Maciel | Adaptação web: David Pereira

A sambadeira nega Duda | FOTO: Fernando Oliveira

A sambadeira nega Duda | FOTO: Fernando Oliveira

Vinda de uma cidade com 33.183 habitantes (Censo IbGE/2010), localizada na região do Recôncavo baiano, São Francisco do Conde deu ao mundo a voz e a força de Ducineia Cardoso, a Nega Duda. Nascida em 13 de maio de 1968, foi na beira do rio, lavando roupa que Nega ouviu e aprendeu as primeiras canções, os primeiros sambas.

Sambadeira eu sempre fui”, diz, ao ser perguntada o que a faz ser uma sambadeira. Com olhos marejados, explica: “Sambadeira samba porque samba, samba por amor. o samba muitas vezes é o jeito que a mulher da minha terra encontrou para passear, sair de casa, se expressar, dançar e cantar. muitas vezes, essa mulher vive um dia a dia de violência, de dor, de muito trabalho, marido alcoólatra... eo samba é um lugar onde ela pode ser diferente e a possibilidadede conhecer outros lugares, pessoas”.

Filha mais velha entre seis irmãos, Nega é mãe de Jackson Cardoso (30) e Jackeline Cardoso (29). Dos filhos, herdou três netos: Erick (10), Carolina (2) e Jackson Jr (1). “Meus parentes me cobram para que eu volte... eles não sabem o que é estar aqui e o que eu sou aqui”. Há doze anos em São Paulo, hoje Nega reside na Cidade Tiradentes, bairro da periferia na zona leste de São Paulo.“Em São Francisco do Conde eu era apenas Nega. O Duda nasceu em São Paulo, eu sempre fui Nega. Nunca tive essa pretensão. ai eu venho para cá e me transformo nisso que eu sou hoje”.

Do Recôncavo para montepellier, em 2002, Nega fez sua primeira viagem internacional ao integrar comitiva brasileira no 17º Festival de montpellier-Printemps des Comédiens (França). “Fui representando a Bahia numa comitiva de artistas populares, fui escolhida entre 60 mulheres, como sambadeira. a primeira vez que eu cantei no microfone foi na França, onde conheci diversas companhias, incluindo a beth beli” - que mais tarde convidaria Nega para participar do oriaxé, grupo de onde derivou o bloco afro Ilu Obá de Min.

Nega Duda, Ilu Obá de Min | FOTO: Alexandre Maciel

Nega Duda, Ilu Obá de Min | FOTO: Alexandre Maciel

Ducineia Cardoso é referência do samba de roda baiano na capital paulista. Homenageada no carnaval paulista, Nega foi cantada por um coro de aproximadamente 200 mil pessoas, durante apresentação dobloco afro Ilu Obá de Min. Há dez anos à frente do coro de cantoras do Ilu, Nega duda diz que ainda processa o reconhecimento e a homenagem. “O meu nome no Ilu, é tema. Eu sou uma mulher de Ilu,eu sou iluobática. Quando ouvi as composições que fizeram para mim... Não tem nada que pague, foi e está sendo uma honra. o povo me cantou em São Paulo”.

Em São Paulo, Nega criou o Samba de Roda Nega Duda, onde desenvolve o Ekan de axé. “o Ekan veio da necessidade de eu trabalhar as simbologias do sagrado. Mesmo não estando na bahia, fazendo as minhas funções espirituais na minha casa, não me esqueço desse meu compromisso. Gosto de prestigiar as casas dos meus amigos para ver, cantar e dançar com os orixás”. Embora o Ekan de axé e o Samba de Roda tenham um público fiel, Nega narra a dificuldade de realizar e dar continuidade ao projeto. “As pessoas gostam do samba, mas faltam recursos que viabilizem a realização do projeto.

Fiz alguns Ekans com a contribuição e doação dos amigos, divulgava o que precisava nas redes sociais, fazia as comidas e vendia. Hoje, quero encontrar um espaço onde eu possa desenvolver e difundir a cultura do Recôncavo: da culinária à música. Quero criar a Casa da Nega – Sampa Recôncavo. Quero muito que a Secretaria da Cultura e a prefeitura da minha cidade natal apoiem os meus projetos e compreendam que, dos quatros cantos, onde eu estiver, estarei falando do Recôncavo, falarei da bahia”.

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