Conheça o poeta e cantor João do Vale

 

Texto: Oswaldo Faustino | Foto: Divulgação| Adaptação web Sara Loup

João do Vale \ Foto: Divulgação

João do Vale \ Foto: Divulgação

João do Vale foi o quinto filho de oito irmãos, do qual apenas três sobreviveram, poeta legítimo dos emaranhados e carnais poemas maranhenses. Vendia bolo, laranja, balas (ou bombons, como se diz no Maranhão) pra contribuir no orçamento parco da família.    De Pedreiras a família mudou-se para São Luis, e o “pé de chote” (apelido de João) aos catorze do primeiro tempo, imaginava aventuras coloridas de marés e neon no sul-maravilha. Frequentou a escola até o terceiro ano do primário, só porque foi obrigado a dar a sua vaga a um outro menino “predestinado”, de família promissora, das promissoras posses daquela cidade. De Salvador foi pra terra do ouro, Minas Gerais, e trabalhou no garimpo em Teófilo Otoni, mas o buraco, o tesouro mesmo era, pra ele, mais embaixo...
De carona apeia no Rio de Janeiro. Famosa “Terra Maravilhosa” onde pôs a mão na massa, trabalhando de servente de pedreiro na mesma construção onde dormia. À noite, percorria a cidade boêmia, firmando amizades, tramando contato com outros artistas, chafurdando-se em rádios cantando suas geografias enfeitiçadas de calor humano. Encontrou Zé Gonzaga (irmão de Luiz Gonzaga) que não lhe deu muito ouvido. E foi cantando, cantando e, como Orfeu, envolveu o sanfoneiro em maravilhas. Gravaram o baião Madalena. Depois conheceu Luiz Vieira, que lhe encaminhou para Marlene, que gravou Estrela Miuda, de Luiz Vieira e João do Vale. As gravações lhe renderam 200 mil réis, enquanto que, trabalhando como pedreiro, ganhava a mísera quantia de 5 mil réis

Por dez anos João percorre o Brasil com o espetáculo Forró Forrado, que começou em 1979 noespaço cultural homônimo e terminou em 1980, quando acontece o Projeto Calunga, realizando diversas apresentações em Angola, de chão beijado e abençoado por João do Vale. Chico Buarque produz o disco João do Vale Convida, em 1981, convidando Tom Jobim, Gonzaguinha, Nara Leão, Zé Ramalho, entre outros. No mesmo ano faz uma turnê em Cuba. João do Vale adoece em 1987, sofre um AVC e recebe alta em 1989. Sua aposentadoria vem em outubro de 1992. O poeta retorna à Pedreira, sua terra natal, sendo recebido com um tributo no teatro da Praia Grande, em São Luis. Ao completar 60 anos, recebe outra homenagem no teatro que carrega o seu nome. Morre em 1996.

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