A história do mais jovem país da África

A histórias dos países Africanos infelizmente não são muito diferentes.

Colonizações, saques, colonizações europeias e guerras civis. Com o Sudão do Sul essa história não foi muito diferente mas com peculiaridades bem próprias.

Em julho deste ano, o Sudão do Sul, a nação mais jovem do mundo, completa 10 anos de independência. Os jornalistas Mário Cajé e Alberto Fernández viajaram em março de 2020 ao país para conhecer histórias emocionantes de um povo que luta para se reconstruir depois de duas guerras recentes.

Por se tratar de um país ainda muito fechado para o restante do mundo e com várias restrições das autoridades locais, a entrada da equipe para a produção das filmagens só foi permitida com o auxílio da Cruz Vermelha.

Em 2018, a GloboNews conquistou o Prêmio CICV de Cobertura Humanitária Internacional, concedido pela reportagem “Especial Direitos Humanos – Direito à Nacionalidade”, que o canal exibiu no programa ‘Sem Fronteiras’, em dezembro do mesmo ano.

Como reconhecimento pelo trabalho desenvolvido, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha possibilitou que o vencedor da honraria viajasse para um país em que a organização tivesse operações em andamento. O destino escolhido, claro, foi o Sudão do Sul, região ainda desconhecida do público até agora.

O filme retrata como o povo Sul-Sudanês sobrevive em meio a pobreza extrema, a fome e como famílias inteiras tiveram que lidar com as cicatrizes da guerra. O documentário faz um mergulho dentro de um país pouco conhecido pela grande maioria do público.

Os autores do documentario deram uma previa para a RAÇA Brasil das dificuldades e as emoçoes de realizar o trabalho…

Quais foram os maiores desafios para produzir esse filme?

Foi difícil trabalhar em um país marcado por conflitos armados tão recentes. As cicatrizes ainda não foram curadas. Lidamos com bastante resistência do governo e dos policiais que encontrávamos pelo caminho. Só podíamos gravar se estivéssemos com um representante do setor de mídia do governo. Tudo dependia de muitas autorizações. Eu andava com uma pasta cheia de documentos o tempo todo. Chegamos a ser detidos no aeroporto. Além disso, por causa da insegurança, não podíamos andar livremente pela cidade e só deixávamos o hotel no carro da Cruz Vermelha.

Teve alguma história que mais chamou sua atenção nessa produção?

Conhecemos uma refugiada Sul-Sudanesa chamada Prescilla, que fugiu do país com parte da família e presenciou execuções durante a jornada até o campo de Kakuma, no Quênia. A mãe tentou obrigá-la a se casar com um australiano mais velho, e ela precisou fugir. Hoje em dia, Prescilla é uma jovem ativista que luta pelo próprio direito de se educar, sonha em se tornar jornalista e incentiva outras meninas do campo a buscar um futuro melhor. Ela ainda não sabe se vai voltar ao Sudão do Sul porque teme pela própria segurança.

O que o público pode esperar dessa produção?

‘Maale’ traz um pouco da história de uma população que passou por dores imensas, mas que não abre mão do sorriso, da música, da gentileza e da fé. O espectador vai descobrir a variedade étnica do Sudão do Sul, que apesar de ser fonte de muitos conflitos, também representa a maior riqueza deste país. O documentário é uma oportunidade de conhecer mais sobre uma região de certa forma esquecida do mundo, ouvir boas histórias e se deixar contagiar pelos ritmos e a esperança de uma população forte

Confira o documentário que vai ao ar amanhã às 23:00 na Globo News.

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