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A HISTÓRIA DO MASSAGISTA DA SELEÇÃO MARIO AMÉRICO

  • Autor: redação redação

  • Publicado em: 16/10/2016

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Oswaldo Faustino escreve sobre o famoso massagista da seleção brasileira de futebol Mário Américo

 

TEXTO: Oswaldo Faustino | FOTOS: Divulgação | Adaptação web: David Pereira

O massagista Mário Américo | FOTO: Divulgação
O massagista Mário Américo | FOTO: Divulgação

Durante sete Copas do Mundo, de 1950 a 1974, podemos observar diversos jogadores e técnicos nas fotografias oficiais da Seleção Brasileira de futebol. Porém, um único personagem é constante em todas elas: o massagista Mário Américo.

Na história da Seleção Brasileira, ele é figura ímpar não só para o país, mas também internacionalmente, conforme podemos constatar em materiais impressos em vários idiomas exibidos na exposição organizada pelo fisioterapeuta Mário Américo Netto, intitulada “Massagista Mário Américo - 7 Copas do Mundo”. Além das Copas, Américo esteve presente em Jogos Pan-Americanos, Sul-americanos e diversos outros confrontos esportivos da seleção.

Inicialmente autodidata, com eficiência elogiada pelos mais famosos nomes do esporte no Brasil, Mário Américo era mineiro de Monte Santo de Minas. Quando adolescente, sonhou ser cantor e lutador de boxe. Foi como pugilista que se mudou para o Rio de Janeiro, fugindo da vida de lavrador. Representando o Madureira Esporte Clube, chegou a lutar na Europa. Mas numa competição, em 1937, quando enfrentou Kid Jofre, pai de Eder Jofre, apanhou tanto que desistiu da carreira. “Naquela noite, ali mesmo na maca de massagem do Madureira, o médico Almir do Amaral o convenceu a substituir o massagista do clube que ia se aposentar, e deu-lhe as primeiras instruções de prática fisioterapêutica”, revela Netto. Ficou por sete anos naquele clube, doze no Clube de Regatas Vasco da Gama e dezenove na Associação Portuguesa de Desportos. Não por acaso, o neto, que seguiu sua carreira, é torcedor fanático da Lusa, onde realizou seu estágio em fisioterapia.

O autodidatismo deu lugar aos conhecimentos científicos, ao cursar, em 1942, a Escola Nacional de Educação Física. A fama de sua competência e de seu eterno bom humor se espalhou Brasil afora e chegou aos ouvidos da CBD – Confederação Brasileira de Desportos, antigo nome da atual CBF. Ele foi convocado para integrar a equipe já nos preparativos para a Copa de 1950, que aconteceria no Brasil. Estreou e vivenciou uma imensa decepção: derrota do Brasil, por 2 X 1, imposta pelo Uruguai em pleno Maracanã. Era o dia 16 de julho. Entristecido, o massagista não comemorou seu 38º aniversário, doze dias depois. Duas Copas depois, porém, em 1958, na Suécia, enfrentando de azul o time da casa, a seleção canarinho arrancou do peito dos brasileiros o brado: “É campeã!”. Nesse momento, ele já havia conquistado a fama de “pombo-correio”: quando precisava passar uma instrução a um jogador, o técnico fazia-lhe um sinal e este se lançava ao gramado. O massagista corria para dentro do campo e enquanto aplicava o linimento na falsa contusão,comunicava-lhe, em segredo, a orientação técnica.

Mário Américo ao lado de Pelé e Zagallo | FOTO: Divulgação
Mário Américo ao lado de Pelé e Zagallo | FOTO: Divulgação

O folclore em torno de Mário Américo é farto de episódios. O mais famoso é o roubo da bola da partida final da Copa de 1962, no Chile, onde o Brasil se tornou bicampeão ao vencer na final a Tchecoslováquia por 3 X 1. A pedido do chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, o “Marechal da Vitória”, assim que o jogo terminou, Mário deu um toque seco na bola, arrancando-a de sob o braço do juiz. Apanhou-a e saiu correndo. Seguranças o perseguiram, mas ele se refugiou no vestiário onde apanhou outra bola e a deu aos perseguidores, pedindo desculpas pela “brincadeira”. Assim, a verdadeira bola daquela final veio morar definitivamente no Brasil.

Da mesma maneira que os cronistas esportivos gostam de destacar uma suposta ingenuidade de Garrincha, costumam pintar Mário Américo como aproveitador dessa “inocência”. Contam que, na Suécia, em 1958, esse jogador comprou um rádio e o massagista o convenceu de que o aparelho só falava em sueco. Garricha lhe vendeu o tal rádio pela metade do que pagou.

O jornalista Henrique Matteucci escreveu sua biografia, intitulada “Mário Américo, o Massagista dos Reis”. Em 1978, Mário foi eleito vereador, ocupando uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo até 1981. “Convivi pouco com meu avô, que faleceu dia 9 de abril de 1990, quando eu tinha apenas três anos. Mas meus familiares comentam que ele não considerava uma boa experiência sua passagem pela política”, conclui o neto fisioterapeuta.

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